A porta-voz do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, classificou  de “inadmissível” alguém querer baixar os salários em Portugal e lembrou que o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, quando ganhou as eleições disse que não ia cortar os ordenados.

“Pedro Passos Coelho, tudo o que prometeu, foi que não tocaria nos salários, tudo o que fez foi cortar salários e agora, quando o salário médio bruto são 581 euros brutos, alguém acha mesmo que o que é preciso em Portugal é baixar ainda mais os salários?”, questionou hoje Catarina Martins, à margem de uma arruada que realizou esta tarde em Espinho, Aveiro, dizendo que tal era “inadmissível”,

Na sexta-feira passada, o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, afirmava, em Lisboa, ser uma "ilusão" pensar-se que a reforma do Estado traria "profundas" poupanças orçamentais.

"Mais de dois terços da despesa pública concentram-se justamente nas prestações sociais e nos salários. Não vale a pena contornar esta discussão. Nós temos limitações óbvias do ponto de vista constitucional para lidar com o problema dos salários. E nenhum governo pode ir contra a Constituição. Essa é uma matéria que está esclarecida", declarava Passos Coelho, na sessão de encerramento de um congresso organizado pela Confederação Empresarial de Portugal.

A porta-voz do Bloco de Esquerda (BE) afirmava que realmente existia um problema “grave” de salários em Portugal, mas que a gravidade se prendia com o facto de os ordenados serem “baixos”.


“A primeira medida de que o país precisa é proteger os salários, é ter salários dignos para que as pessoas possam viver até ao fim do mês com dignidade e para que com isso também possa a economia viver e acabar com o círculo infernal das insolvências e desemprego”, afirmou.


Catarina Martins disse ainda que “ninguém tem nenhuma dúvida que, graças à Constituição da República Portuguesa, e graças à oposição, que, sempre que foi preciso, recorreu ao Tribunal Constitucional para parar o assalto a quem trabalha, Portugal não ficou tão mal como poderia ter ficado, se Pedro Passos Coelho e Paulo Portas cortassem em tudo o que queriam”.


“Foi preciso pará-los quando eles quiseram cortar no subsídio de desemprego, quando quiseram cortar no subsídio de doença, quando quiseram cortar mais nos salários mais baixos, quando quiseram cortar mais nas pensões mais baixas e mesmo assim cortaram tanto”, recordou a bloquista.


Para a porta-voz do BE, que distribuiu hoje jornais do seu partido junto à praia de Espinho, a “Constituição não é a resposta a tudo a que o país precisa, mas, pelo menos, sabemos que a Constituição em Portugal serve para defender quem está mais frágil. E agora o que é preciso é uma política para defender o país e para criar condições de vida com salário digno”.