A coordenadora do Bloco de Esquerda classificou o apelo do primeiro-ministro à «união nacional» como «barbaridade» interrogando-se se Passos Coelho é «inculto» ou se o partido único do Estado Novo é a sua «única referência política».

Em Braga, Catarina Martins afirmou neste sábado que «esta semana» acabou de «forma caricata» com a tomada de posse de um Governo «morto», «um desfile de horrores», e que a próxima semana será «bizarra», com a votação da moção de confiança anunciada pelo presidente da República - e não pelo Governo.

Segundo a líder bloquista, o governo «recauchutado» que tomou agora posse apenas terá confiança de Cavaco Silva e de «mais ninguém» no país.

«Mas será que temos um primeiro-ministro que é de tal forma inculto que não percebe que está a apelar ao partido único do Estado Novo, da ditadura, ou esta é a única referência que ele tem?», questionou Catarina Martins.

A coordenadora bloquista analisou assim o apelo de Passos Coelho à «união nacional» feito sexta-feira, realçando que o primeiro-ministro «fez questão» de dizer que falava de «união» e não de «unidade».

Para Catarina Martins, «nenhuma das respostas será boa» e «alguém que é capaz de dizer uma barbaridade destas não tem qualidade para chefiar um governo democrático».

Sobre a tomada de posse do «novo» Governo «recauchutado», a líder do BE apontou que aquilo a que se assistiu foi a um «pequeno desfile de horrores».

«Estava lá a senhora ministra swap, que nem secretária de Estado devia ser. Estava Paulo Portas, o ministro irrevogável e, como se não bastasse o horror que já conhecíamos, juntou-se mais um, Rui Machete», disse.

«Não sabemos se temos um ministro [dos Negócios Estrangeiros] míope de tal forma que seja perigoso tê-lo no Governo ou se um ministro conivente com o maior escândalo da democracia portuguesa», disse referindo-se à passagem de Machete pela Sociedade Lusa de Negócios, implicada no «escândalo» BPN.

A «próxima semana», será «bizarra», disse a líder do BE, graças à votação na Assembleia da República da moção de confiança anunciada por Cavaco Silva que, referiu, «fez tudo o que podia para manter» o Governo.

«Lá estaremos a discutir a moção de confiança do senhor Presidente da República. Mas este Governo não merece a confiança do país porque não se dá ao respeito. O Governo pode ter a confiança do senhor presidente mas não tem a de mais ninguém», assinalou.