A porta-voz do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, acusou o candidato à presidência da República Marcelo Rebelo de Sousa de defender um país subserviente aos interesses económicos e financeiros e de se desdizer.

"Marcelo Rebelo de Sousa diz que há dois países e eu devo dizer que concordo com Marcelo Rebelo de Sousa. Há o país subserviente aos interesses económicos e financeiros, há o país da velha política em que se diz uma coisa e o seu contrário, que é o país representado por Marcelo Rebelo de Sousa", afirmou, numa sessão pública, sexta-feira à noite, em Angra do Heroísmo, nos Açores.

De acordo com a Lusa, para Catarina Martins, o que o candidato presidencial não defende é um país "em que conta é defender quem vive do seu trabalho" e em que é necessária uma "política de convicções claras e de ideias coerentes".

"Nestas eleições presidenciais, decidimos se Portugal quer continuar nesta subserviência e neste cinismo político permanente ou se pelo contrário este não é um tempo de um país que se saiba defender e em que quem quer assumir cargos de responsabilidade seja absolutamente claro sobre aquilo que defende", frisou, acusando Marcelo Rebelo de Sousa de dizer "uma coisa e o seu contrário".

A porta-voz do BE disse que o candidato presidencial "garantiu que o sistema financeiro era sólido a poucos dias do BES colapsar", "veio dizer no meio da crise que era importante não descurar o ensino privado, mas não teve uma palavra para defender nunca a escola pública", "tentou acabar com o Serviço Nacional de Saúde com uma revisão constitucional" e "quando a austeridade determinou que pessoas não tivessem acesso aos serviços mais básicos limitou-se a dizer que o problema não era a austeridade era o Governo não saber explicá-la".

Por outro lado, Catarina Martins considerou que a candidata à presidência da República apoiada pelo BE, Marisa Matias, tem um conhecimento profundo das matérias que vão estar em cima da mesa e uma "clareza profunda" sobre aquilo que defende.

Na ilha Terceira, onde se realizou a Cimeira das Lajes, que apelidou de "vergonhosa", Catarina Martins salientou que, se for eleita, a candidata do BE "não deixará que as Forças Armadas Portuguesas sejam usadas em conflitos", apenas como forças de interposição da paz.

Para a porta-voz do BE, é também importante que o próximo Presidente da República saiba optar pela soberania, em vez da obediência ao acordo comercial transatlântico, que está a ser negociado na Comissão Europeia e que poderá ter questões como os organismos geneticamente modificados (OGM) ou a exploração de fundos marinhos por grandes consórcios multinacionais.

Em relação às dificuldades do setor agrícola nos Açores, na sequência do fim das quotas leiteiras, Catarina Martins salientou que o BE já tinha dito que apostar toda uma economia num setor era "um erro", criticando a governação regional socialista.

"É preciso agora, ao mesmo tempo que se acorre a quem produz, que é a economia e o emprego, que é extremamente importante, pensar também numa outra forma de desenvolvimento. A obrigação de um governo é pensar o que vai acontecer e ter estratégia e é isso que tem faltado", frisou.