A coordenadora do BE, Catarina Martins, considerou esta segunda-feira preocupante que o Governo queira alterar as metas orçamentais negociadas com os bloquistas para este ano, apelando a que se mantenham os compromissos assumidos e o espírito de negociação.

É já pública a intenção do Governo de rever em baixa a meta do défice em 2018, ou seja, é pública a intenção do Governo de alterar a meta que foi votada com o Orçamento do Estado e, para o Bloco, esse seria um sinal preocupante uma vez que o compromisso político do Orçamento do Estado apontava para a necessidade de se aproveitar o crescimento económico para recuperar os serviços públicos", disse Catarina Martins aos jornalistas, em Lisboa, no final de uma reunião com economistas para discutir escolhas sobre a economia, Programa de Estabilidade e opções para o investimento público.

A coordenadora do BE deixou um apelo claro ao Governo: "que se mantenha o espírito de negociação, de convergência e de cumprir os compromissos que tivemos até agora na maioria parlamentar".

Catarina Martins defendeu ainda ser "muito importante que o Governo apresente um Programa de Estabilidade que seja consequente com as metas e o quadro macroeconómico" aprovados no Orçamento do Estado para 2018, que mereceu o voto favorável dos bloquistas.

Tudo o que nós queremos é que os compromissos se mantenham", sintetizou, considerando "preocupante os sinais de que o Governo quer alterar as metas" orçamentais.

Os bloquistas veem "também com alguma preocupação" que o ministro das Finanças, Mário Centeno, "anuncie já limitações ao que será o Orçamento do Estado para 2019, antes de iniciar as negociações com a maioria parlamentar".

O BE, segundo a sua coordenadora, "cumpriu sempre os compromissos políticos que negociou com o Governo, foi claro sobre a necessidade da recuperação económica ser também recuperação dos serviços públicos", não estando, por isso, "a demonstrar nenhuma divergência nova em relação ao Governo".

Nós votamos um OE2018 com uma trajetória de redução da dívida e do défice que foi negociada com a União Europeia nos termos exatos em que o PS e o Governo o quiseram fazer. E o Bloco não colocou isso em causa e negociou dentro dessas margens o OE2018", recordou.

Frase "muito infeliz"

Questionada sobre a frase do ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, que no parlamento, há pouco mais de uma semana, disse "somos todos Centeno", Catarina Martins considerou que esta foi "muito infeliz".

Quero acreditar que cada ministro toma decisões tendo em conta a responsabilidade própria da sua área de governação e que essa foi uma frase infeliz porque mal seria se nós achássemos que, de repente, não existia nenhuma política em Portugal que não fosse uma imposição de Mário Centeno. O Governo tem vários ministérios, várias áreas de competência e responde por todas elas", disse apenas.

Catarina Martins reuniu-se hoje, na sede do BE, em Lisboa, com economistas para discutir escolhas sobre a economia, Programa de Estabilidade e opções para o investimento público, encontro que contou com a presença, entre outros, do antigo coordenador bloquista Francisco Louçã, Ricardo Paes Mamede, Ana Costa, José Castro Caldas e Ricardo Cabral.

O que propomos é que o país debata como responder às alterações climáticas e como responder às desigualdades que tem e aí investir nestes cinco eixos: transportes e energia, floresta e núcleos rurais, indústria e emprego, educação e igualdade para que possamos ter uma nova forma de olhar para o nosso país", referiu a coordenadora do BE, adiantando que o partido vai apresentar, em breve, propostas concretas sobre estas matérias.