O Bloco de Esquerda espera que, com o debate de urgência sobre violência de género, seja possível aprofundar a discussão sobre o que falta fazer e pode ser melhorado, nomeadamente ao nível da prevenção, formação e apoio às vítimas.

O tema da violência de género é discutido terça-feira, no Parlamento, a pedido do Bloco de Esquerda (BE), que pediu um debate de urgência.

«Tenho expectativas que o debate aprofunde o que falta fazer e o que pode ser melhorado, no reconhecimento do que já foi feito», adiantou a deputada bloquista Cecília Honório.

Em declarações à agência Lusa, a deputada explicou que na base do pedido de debate estão as 21 mulheres assassinadas em 2014 e o aumento das participações por violência doméstica, segundo indica o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) para 2013.

«Sabendo que é preciso saber fazer leituras de contexto, nós achamos que estes dados nos devem preocupar muito e que a Assembleia da República, o debate em plenário, é a forma que dignifica a questão sobre a resposta das políticas de combate a estas formas de violência», justificou Cecília Honório.

Esclareceu que o BE não entende este debate como qualquer arma de arremesso político, pretendendo antes promover a discussão e o debate entre todos os grupos parlamentares, bem como avaliar as respostas que têm sido dadas ao nível das políticas públicas.

A deputada sublinhou que o partido reconhece e valoriza todos os esforços feitos até hoje em matéria de combate a todas as formas de violência, mas defende igualmente que há respostas que podem e devem ser melhoradas.

¿No plano, por exemplo, da prevenção primária, no plano, por exemplo, da formação, nomeadamente dos próprios agentes das forças de segurança¿, apontou Cecília Honório.

A deputada defendeu que é preciso debater sem preconceitos e que esta é a forma de respeitar todas as vítimas de violência e, ao mesmo tempo, avaliar o que ainda pode ser feito.

¿Tenho expectativa que este debate nos devolva algumas das questões levantadas por quem está no terreno e que identificam aspetos que é preciso ultrapassar, nomeadamente no apoio às vítimas, no reforço de uma rede local de coordenação entre todas as entidades ligadas ao combate à violência doméstica e que é preciso tornar eficaz e sólida¿, apontou a deputada.

Disse que espera que este seja um debate ¿sério¿, porque a questão é ¿suficientemente preocupante¿, que traga a oportunidade de avaliar e aprofundar respostas, seja em matéria de prevenção, formação ou apoio às vítimas.