O Bloco de Esquerda (BE) assinala na sexta-feira 15 anos «de lutas» com um jantar em Lisboa, onde juntará os corpos diretivos, os fundadores do partido e centenas de militantes.

Para o encontro, marcado para a Cantina Velha da Cidade Universitária de Lisboa, estão previstas intervenções da coordenadora do partido Catarina Martins, da eurodeputada e cabeça de lista nas próximas eleições para o Parlamento Europeu Marisa Matias e do fundador e deputado na Assembleia da República Luís Fazenda.

O BE nasceu em fevereiro de 1999, em grande parte pela união de três partidos políticos entretanto extintos ou atualmente sob a forma de publicações ou fóruns de reflexão: o Partido Socialista Revolucionário (PSR), a União Democrática Popular (UDP) e a Política XXI.

Francisco Louçã, Luís Fazenda, Miguel Portas e Fernando Rosas foram os rostos mais visíveis da formação do Bloco, partido que deu grande destaque ao longo destes 15 anos a temas como a despenalização do aborto, causas ambientalistas e ou de defesa da comunidade LGBT (acrónimo para Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgénero).

Atualmente o partido conta com oito deputados na Assembleia da República, tendo em Pedro Filipe Soares o seu líder parlamentar. No sufrágio de 2009, contudo, o partido conseguiu eleger 16 deputados, tendo perdido metade da representatividade no parlamento de então para 2011 - figuras do partido como José Manuel Pureza, José Gusmão ou José Soeiro falharam então a eleição como deputados.

Liderança otimista quanto ao futuro

A liderança do Bloco de Esquerda (BE) diz que o partido está «num bom momento» e estará ainda melhor no futuro, mas o ex-militante Gil Garcia, que entretanto fundou uma nova organização política, critica o BE por não construir uma real alternativa de Governo.

«Acho que o Bloco hoje tem mais saúde que tinha há 15 anos e pressuponho que hoje tem menos saúde do que terá daqui a 15 anos», diz o coordenador do partido João Semedo, em declarações na véspera de se assinalarem 15 anos sobre a fundação do partido.

João Semedo, que reparte atualmente a liderança do Bloco com Catarina Martins, enaltece as lutas do partido ao longo dos anos, nomeadamente as recentes, em convergência com «outras forças democráticas» e que passaram por exemplo por «manifestações, pelo movimento Que se lixe a troika!, pelas Aulas Magnas, por greves gerais».

«Estivemos nessas lutas contra a austeridade e este Governo», realça o bloquista, esperançoso também no futuro mais imediato do partido, em concreto sobre as eleições europeias de maio.

No sufrágio, adianta, a lista com que o partido concorrerá ao Parlamento Europeu terá «tantos bloquistas como independentes" e "vai ser ela própria um espaço de pluralidade».

«Só tenho razões para confiar e estar otimista relativamente ao futuro do Bloco», concretiza.