Os atrasos que ainda se verificam na colocação de professores, com o ano letivo no terreno já há seis semanas, implicam que os exames nacionais devam ser cancelados para todos os alunos, por uma questão de justiça, defende o Bloco de Esquerda. 

«Consideramos que não é possível realizar os exames nacionais em condições de igualdade e portanto os exames nacionais este ano não podem existir», afirmou Catarina Martins aos jornalistas, à margem de uma reunião com a direção do agrupamento escolar do Alto Rodes, na Escola Secundária Pinheiro e Rosa, em Faro. Isto porque ainda há alunos sem professores há mais de um mês. 

A dirigente do BE sugere a avaliação contínua como o método mais indicado para avaliar os alunos, por considerar que os exames nacionais estão «condenados». «Os alunos sempre foram avaliados pelos seus professores, há várias formas de avaliação», sublinhou, observando que são necessários mais professores para darem apoio nas escolas, distribuírem o número de alunos por turmas, para que se tente compensar o atraso.  E o ministro da Educação deve responder à falta de resposta do ministério no que toca à garantia de condições de igualdade entre alunos, defendeu.

Catarina Martins lembrou que, sobretudo no Ensino Secundário, as notas finais são decisivas, pois por «uma décima» se entra ou não na universidade, embora nos restantes anos de escolaridade também se possa chumbar «por meio valor». Estes alunos que estão sem professores «já perderam um quinto do tempo útil de aulas», frisou.

Segundo a Associação Nacional de Dirigentes Escolares, entre 10 a 20 por cento das vagas para professores continuam por preencher nas escolas abrangidas pela Bolsa de Contratação.

A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) pediu quinta-feira ao Ministério da Educação a abertura de um processo negocial para rever as regras dos concursos de colocação de professores.

O ministro da Educação esteve esta sexta-feira no Parlamento, mas sobre esta situação, não proferiu nem uma palavra. Preferiu dizer que o setor está «no bom caminho», apesar de o seu ministério ser o que mais cortes sofre em 2015, segundo a proposta de Orçamento do Estado.