O Bloco de Esquerda fez esta quarta-feira um ataque cerrado ao secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, acusando-o de «promiscuidade» entre Estado e privados e de seguir a máxima «inalei mas não fumei» a propósito dos contratos swap.

Estas críticas foram feitas pela deputada bloquista Mariana Mortágua e mereceram depois a concordância da dirigente socialista Ana Catarina Mendes e do deputado comunista Bruno Dias, que adiantou que o PCP requererá o envio ao parlamento das fichas técnicas dos contratos swap assinados por Sérgio Monteiro quando representava um consórcio privado.

«Sérgio Monteiro campeão das parcerias público privadas (PPP) ruinosas para o Estado enquanto gestor, é o mesmo Sérgio Monteiro que renegociou para o Estado essas mesmas PPP. Esta duplicidade cúmplice resume três anos e meio de Governo», sustentou Mariana Mortágua.


Segundo a deputada do Bloco de Esquerda, na sequência de um relatório do Tribunal de Contas sobre o comboio de alta velocidade (TGV), ficou a saber-se que o atual secretário de Estado dos Transportes, enquanto representante de um privado, assinou um contrato swap que gerou perdas de 152 milhões de euros».

«Esse mesmo contrato foi resgatado pelo Estado, que assumiu assim todos os prejuízos decorrentes dessa operação financeira engendrada por Sérgio Monteiro no privado. E quem é que assinou essa operação pelo Estado? Isso mesmo, Maria Luís Albuquerque e Sérgio Monteiro», disse.


Mas Mariana Mortágua foi ainda mais longe, comentando a explicação de Sérgio Monteiro, segundo a qual se limitou a assinar esse contrato e nunca o negociou.

«Assinei mas não negociei é o novo fumei mas não inalei», disse.


Pela parte das bancadas da maioria governamental, o deputado do PSD Afonso Oliveira considerou que «o grave problema dos contratos swap foi produzido no tempo dos governos socialistas».

«Houve uma comissão parlamentar de inquérito e tudo ficou esclarecido», sustentou, antes de Mariana Mortágua conceder que nessa mesma comissão parlamentar de inquérito «se assistiu a um fantástico pingue-pongue entre PS e PSD» sobre contratos swap.

«Mas a questão de fundo é esta: Como se pode confiar num secretário de Estado como Sérgio Monteiro que num dia está no privado e no outro salta para o Estado?».


Pela parte do PS, Ana Catarina Mendes disse que o caso que envolve o secretário de Estado dos Transportes configura «uma promiscuidade entre Estado e privado e uma situação de falta de transparência».

«O que as conclusões da última comissão parlamentar de inquérito demonstraram é que houve um branqueamento do papel da ministra das Finanças e do secretário de Estado Sérgio Monteiro», defendeu a líder do PS/Setúbal, agora em resposta à intervenção antes proferida pelo social-democrata Afonso Oliveira.