A porta-voz do Bloco de Esquerda considera que adiar a venda do Novo Banco para momento oportuno é “tentar disfarçar antes das eleições o gigantesco buraco que está a ser feito no bolso dos contribuintes”. O PCP também considera que há uma tentativa de esconder custos. 

“Que venham agora a pouco tempo das eleições dizer que a venda vai ser adiada para momento oportuno entendamos: oportuno é para tentar disfarçar antes das eleições o gigantesco buraco que está a ser feito no bolso dos contribuintes com este processo de resolução e com esta venda que o Governo está a tentar fazer”, afirmou Catarina Martins, num almoço, em Lisboa, com sindicalistas e ativistas laborais que apoiam a lista do BE às legislativas. E foi mais longe:

"O Banco de Portugal ao dizer que quer adiar a venda do Novo Banco para um momento mais oportuno sabemos que o sonho da direita, de um Governo, uma maioria, um presidente conta também agora com um banco central no bolso para poder fazer propaganda eleitoral”.


Hoje, o Banco de Portugal reiterou que iniciou negociações com os potenciais compradores que apresentaram propostas vinculativas na fase III do processo de venda do Novo Banco, remetendo para momento oportuno o resultado desse processo negocial que "está a desenvolver". Foi essa a reação do Banco de Portugal às notícias que dão conta de que a venda da instituição vai ser  adiada para depois das eleições. 

O PCP acusou também o Governo de tentar "esconder" dos portugueses, até às legislativas, os reais custos da venda do Novo Banco,.

"Verificamos, perante as notícias sobre o adiamento da venda do Novo Banco", que PSD e CDS-PP, "com a ajuda" de Cavaco Silva e Carlos Costa, estão a "tentar esconder do povo, pelo menos até dia 4 de outubro, os reais custos e os impactos desta decisão"



Segundo o líder do PCP, que falava em Beja, ao contrário do que PSD e CDSP-PP e o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, e o vice-primeiro-ministro, Paulos Portas "procuram, afirmar, o prejuízo que resultar da venda do Novo Banco será mais uma vez custeado pelos trabalhadores, pelos reformados e pelas famílias, através dos rendimentos, de novos cortes na saúde, na educação, na Segurança Social e em impostos que nunca deveriam existir ou que irão criar".

"Ao contrário do que procuram dizer, ainda está por apurar o verdadeiro impacto do escândalo do BES, da sua resolução e, agora, da decisão da venda do Novo Banco"


Os custos "serão tanto maiores enquanto PSD, CDS-PP e PS insistirem na venda [do Novo Banco] e quanto mais for adiada a proposta do PCP de assumir o efetivo controlo da banca pública", antecipou.

"Depois do envio de milhares e milhões de euros para acudir o BPN, o BPP e o BANIF, agora, com este escândalo do Novo Banco, arriscamos a ver este mesmo filme de ser o dinheiro dos portugueses que vai servir para taparem o buraco aberto no BES, no chamado Banco Novo"


No caso do Novo Banco, disse, "claramente se perspetiva que vamos estar perante mais um sacrifício dos portugueses a encher os bolsos aos banqueiros, que, durante anos, andaram a ganhar dinheiro na especulação, na economia de casino" e "ganharam muito dinheiro".

Mas, "agora que têm dificuldades, 'aqui del rei', o povo que pague os seus desmandos", rematou Jerónimo de Sousa.


Coligação lembra atitude do PS face ao BPN


Entretanto, da parte da coligação Portugal à Frente (PaF), o candidato por Aveiro João Almeida lembrou hoje a nacionalização do BPN quando o PS estava no Governo, sublinhando a atitude "em tudo diferente" do atual executivo face ao BES/Novo Banco.

"Na parte do Governo a atitude foi em tudo diferente da atitude do PS quando esteve no Governo e teve de lidar com uma situação idêntica", declarou o dirigente do CDS-PP à agência Lusa, no dia em que foi noticiado um eventual adiamento da venda do Novo Banco, entidade criada com a medida de resolução aplicada ao BES.

O executivo, prosseguiu o candidato da PaF às legislativas de 4 de outubro, "protegeu os contribuintes no caso do Novo Banco, exatamente ao contrário do PS no BPN". "Devem ser os bancos a suportar este tipo de prejuízos, não faz sentido que sejam os contribuintes", insistiu João Almeida, primeiro nome do CDS-PP por Aveiro.

"A venda deve ser feita no melhor momento possível e nas melhores condições possíveis".


Um discurso em linha com o do ministro da Economia, que hoje defendeu que só vale a pena vender o banco "no tempo certo e pelo valor certo"