O presidente do Governo dos Açores considerou hoje ser «motivo de satisfação» o facto de o orçamento de defesa dos EUA manter a estrutura atual das Lajes até ser feito um «levantamento específico da eficácia» da base.

De acordo com o documento consultado pela Lusa, prevê-se que a «estrutura de força» seja mantida até 30 dias depois da conclusão do Relatório de Avaliação da Consolidação da Infraestrutura Europeia, um trabalho que está em curso e cuja data de conclusão não é anunciada no orçamento da defesa, que foi aprovado na quinta-feira à noite em Washington.

«Este é um motivo de satisfação para o Governo dos Açores porque é o fruto de um trabalho aturado, persistente, que decorreu, na sua esmagadora maioria, de forma reservada», declarou Vasco Cordeiro, aos jornalistas, em Ponta Delgada, à margem de uma audiência concedida ao embaixador da Indonésia acreditado em Portugal.

Vasco Cordeiro sublinhou que as iniciativas desenvolvidas por causa das Lajes permitiram «sensibilizar um conjunto de políticos norte-americanos para a importância da base e da relação diplomática entre Portugal e os EUA, no âmbito do Acordo de Cooperação e Defesa que se alicerça, em grande medida, nas Lajes».

O presidente do executivo açoriano clarificou a importância desta decisão dos EUA, afirmando que «está a falar de uma questão de tempo, mas, sobretudo, de um processo que se abre agora para a Base das Lajes mas que, no sentido mais global das bases europeias, já se iniciou em janeiro de 2013».

Vasco Cordeiro referiu que o processo passa por «reavaliar, no contexto global da presença militar americana na Europa, a importância da situação específica da eficácia que a Base das Lajes tem para o apoio a essa presença dos EUA no exterior».

«Esta é uma matéria que, se é certo que está completa nesta fase, não está, de todo, encerrada. O que agora se desenvolve é um trabalho ao nível do Departamento da Defesa dos EUA. O que agora temos é um claro mandato político por parte do Congresso dos EUA no sentido de incluir a Base das Lajes nessa reavaliação», declarou.

Vasco Cordeiro, que vai pedir uma audiência ao ministro dos Negócios Estrangeiros para abordar este dossiê, considera que «a palavra está, mais do que nunca, do lado do Governo da República» tendo salvaguardado «todo o empenho» do executivo regional, no futuro, tal como fez ao nível da etapa que agora terminou.

Segundo afirmou, continua disponível para «articular e desenvolver esforços para que esta fase que agora estamos a trabalhar posso também ser coroada de sucesso».

O presidente do Governo deixou uma «palavra de reconhecimento» a todos os que nos EUA, no país e nos Açores se empenharam neste processo, referindo as comunidades emigrantes, a título de exemplo.

Vasco Cordeiro explicou ainda a mensagem de que o processo de análise por parte do secretário de Estado da Defesa dos EUA quanto à presença de forças militares na Europa deverá estar concluído no primeiro trimestre de 2014.

É uma evolução positiva

O Ministério dos Negócios Estrangeiros considerou hoje que «a introdução [no orçamento da Defesa dos EUA] de um fator de ponderação mais abrangente» na avaliação da eficácia da base das Lajes, nos Açores, «é uma evolução muito positiva».

«A adoção de uma disposição que liga o futuro da base das Lajes à avaliação que os Estados Unidos estão a fazer sobre as infraestruturas de Defesa na Europa, ao incluir um fator de ponderação mais abrangente num processo que afeta de forma muito direta o nosso País, constituiu uma evolução muito positiva», disse uma porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros à Agência Lusa.