O presidente da comissão de trabalhadores portugueses na base das Lajes afirmou esta quinta-feira que o resultado da reunião de quarta-feira entre Portugal e os EUA correspondeu às expetativas, mas considerou o próximo encontro «o mais importante».

«Acreditamos que o próximo passo será o mais importante e, portanto, o que esperamos é que Portugal mantenha a sua posição unida, a uma só voz, e que ela seja firme e que não vacilem em relação aquilo que é mais importante para a região e para os trabalhadores neste momento», afirmou Bruno Nogueira, em declarações à agência Lusa.

A comissão bilateral permanente entre Portugal e Estados Unidos da América (EUA) reuniu-se na quarta-feira em Lisboa e contou pela primeira vez com a presença do presidente do Governo Regional açoriano e do presidente da Câmara Municipal da Praia da Vitória, concelho onde está instalada a base das Lajes, usada pela Força Aérea norte-americana, que vai este ano reduzir o seu contingente e dispensar 500 trabalhadores portugueses.

«A posição que o Governo Regional tomou, com a comitiva que levou para discutir esse assunto, foi extremamente benéfica. Foi a mais correta e temos de aguardar pela próxima reunião», disse Bruno Nogueira, confiante que no próximo encontro serão «acauteladas todas as respostas para que este processo seja feito da melhor forma».

Em comunicado divulgado na quarta-feira, o ministério português dos Negócios Estrangeiros adiantou que Portugal e os EUA voltam a discutir «em breve» o futuro da base das Lajes, num encontro em Washington, e vão intensificar consultas bilaterais para apresentar propostas sobre questões laborais, infraestruturas e compensações para os Açores.

Bruno Nogueira assume que a Comissão de Trabalhadores «não esperava muito mais do que aquilo que foi feito ou declarado no final da bilateral», acrescentando que se tratou de «mais um passo» e que já havia pedido para não se criarem «grandes expetativas de que esta reunião iria resolver todos os problemas».

O presidente da Comissão Representativa dos Trabalhadores portugueses na base das Lajes manifestou-se convicto que os norte-americanos terão ficado «mais sensibilizados em termos concretos», depois de nos «últimos tempos» terem «demonstrado uma enorme falta de sensibilidade para este assunto».

«Só quem não quer é que não percebe qual o impacto [da redução do contingente norte-americano] aqui na nossa região. Aliás, os comandantes do destacamento norte-americano [nas Lajes] percebem, pensamos nós, muito bem, porque vivem cá», afirmou Bruno Nogueira, que defende um faseamento do processo de rescisões com os trabalhadores portugueses, de modo a abranger mais voluntários, e que haja uma espécie de garantia de que nos próximos 15 anos não haverá nova redução de efetivos.

Após a reunião, o presidente do Governo dos Açores afirmou que o encontro permitiu «constatar, de certa forma, a consciência, a lucidez da parte de todos os envolvidos quanto à necessidade de ser desenvolvido um trabalho muito aturado» e que «permita, neste quadro particularmente sensível, reparar os danos que a relação diplomática» entre os dois países «naturalmente sofreu».

Também o presidente da Câmara Municipal da Praia da Vitória disse ter «esperança com reservas» sobre o desfecho do processo da base das Lajes, depois da reunião.

«Eu tenho esperança, porque de facto se deu enfoque à questão das Lajes e porque Portugal passou a falar a uma só voz, mas tenho algumas reservas porque há uma posição muito rígida das duas partes e não se conseguiu qualquer tipo de evolução que um processo negocial tem», disse Roberto Monteiro, em declarações à Lusa.