O presidente do Governo dos Açores anunciou  que será recebido na quarta-feira à tarde, em Lisboa, pelo primeiro-ministro, na sequência do anúncio dos EUA de que vão retirar 500 militares e civis da base das Lajes.

«A reunião será amanhã [quarta-feira], da parte da tarde, às 15 horas», disse à agência Lusa Vasco Cordeiro, após uma audiência em Ponta Delgada com o vice-presidente da Associação Internacional de Lions Clubes, Jitsuhiro Yamada.

Vasco Cordeiro anunciou a 04 de janeiro que ia pedir audiências urgentes ao Presidente da República e ao primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, depois de os EUA terem anunciado nesse dia que vão retirar das Lajes 500 militares e civis, deixando na Terceira menos de 200 pessoas, e que vão dispensar 500 trabalhadores portugueses.

Após a audiência com o Presidente da República, que decorreu a 19 de janeiro, no Palácio de Belém, o presidente do Governo dos Açores afirmou que a redução da presença norte-americana na base das Lajes é uma decisão «má e hostil» e exige «uma resposta firme e determinada» do executivo português.

Na ocasião Vasco Cordeiro considerou que a Comissão Bilateral Permanente entre Portugal e os Estados Unidos, que reúne a 11 de fevereiro, é o «local por excelência» para discutir o assunto, que deve «ser colocado de forma particularmente clara, particularmente veemente, particularmente firme e particularmente determinada» do lado português.

Sobre a base das Lajes, o primeiro-ministro português já defendeu que os Estados Unidos «não podem deixar de atender» ao impacto económico da redução da sua presença nas Lajes e, a este propósito, admitiu suscitar a revisão do acordo técnico bilateral.

«O impacto financeiro e económico que esta medida traz, quer para a ilha Terceira, quer para o arquipélago dos Açores, tem um peso muito negativo ao qual os Estados Unidos da América não podem deixar de atender», afirmou a 16 de janeiro Pedro Passos Coelho, durante o debate quinzenal, na Assembleia da República.


Na semana passada, Vasco Cordeiro apresentou um Plano de Revitalização Económica da Terceira onde defende, entre outras coisas, que o Governo da República assegure, junto do Governo dos Estados Unidos, o financiamento de um «programa de apoio estrutural» à ilha de 167 milhões de euros anuais nos próximos 15 anos, para compensar a saída de militares norte-americanos das Lajes.