O ministro da Defesa afirmou esta quinta-feira que a Comissão Bilateral Permanente entre Portugal e os Estados Unidos «é o local próprio para qualquer negociação ou reação» à decisão norte-americana de reduzir a presença militar na Base das Lajes.

«Só vai haver uma reunião da Comissão Bilateral Permanente em meados de fevereiro e esse é o local próprio para ser feita qualquer negociação ou reação em relação ao que foi anunciado», afirmou José Pedro Aguiar-Branco.

O responsável pela pasta da Defesa falava à agência Lusa no final de uma visita ao Colégio Militar, depois de questionado sobre a decisão anunciada pelos Estados Unidos da América sobre a presença na base da Ilha Terceira, nos Açores.

O ministro da Defesa disse que a reunião entre as autoridades portuguesas e norte-americanas deverá acontecer «em meados de fevereiro» e que «esse será o momento em que Portugal expressará as suas opiniões em concreto».

Na semana passada, o embaixador norte-americano em Portugal, Robert Sherman, anunciou as conclusões do relatório sobre a reorganização das forças militares norte-americanas na Europa, que prevê a redução gradual dos trabalhadores portugueses da Base das Lajes de 900 para 400 pessoas ao longo deste ano, e dos civis e militares norte-americanos de 650 para 165.

Vasco Cordeiro no Parlamento

Entretanto, o PS requereu esta quinta-feira a realização de uma audição parlamentar com o presidente do Governo Regional dos Açores, Vasco Cordeiro.

Num requerimento enviado ao presidente da Comissão Parlamentar de Negócios Estrangeiros, o socialista Sérgio Sousa Pinto, o deputado do PS Paulo Pisco consideram importante que Vasco Cordeiro se pronuncie sobre «os impactos a vários níveis da acentuada redução de efetivos norte-americanos e dos trabalhadores portugueses na Base das Lajes». 

«No âmbito das audições já aprovadas com o ministro dos Negócios Estrangeiros [Rui Machete] e ao embaixador norte-americano em Portugal em virtude da decisão dos Estados Unidos de reduzirem de forma bastante acentuada a sua presença na Base das Lajes, na ilha Terceira, consideramos relevante ouvir também outras entidades diretamente atingidas pelas consequências que tal decisão acarreta em termos diplomáticos, económicos e sociais», argumenta o PS.