Por: tvi24 / CP | 4- 2- 2012 16: 11
A sessão extraordinária da Assembleia Municipal de Barcelos, convocada para debater o problema da água e que se deveria
ter realizado sexta-feira, não se chegou a realizar, «por falta de condições de segurança», segundo o vice-presidente da Câmara.
Segundo
Domingos Pereira, do PS, o problema foi provocado pela «claque» da Juventude Social-Democrata (JSD), que «se apoderou por
completo» dos lugares reservados ao público, onde instalou tarjas com críticas ao actual executivo e outro material «de propaganda»,
e que tinha em sua posse «objectos cortantes, como x-actos, tesouras e galos em barro».
«Não digo que esses objectos
fossem para actos de violência, mas ninguém pode negar que eles estavam lá. E toda a gente sabe que, no caso de um qualquer
conflito, se utiliza o que está mais à mão», sublinhou Domingos Pereira.
Disse ainda que os elementos da JSD, que
envergavam t-shirts brancas com os dizeres «Barcelos merecia melhor», foram convidados a retirar aquele material da sala e
acataram a indicação «ordeiramente», mas depois seriam instigados «por gente adulta do partido» para voltarem a forçar a entrada
na sala.
Nessa altura, registaram-se «alguns desacatos», com insultos e agressões à mistura, agudizando o clima de
tensão, que levou à não realização da assembleia e ao seu adiamento para a próxima sexta-feira, no Pavilhão Municipal.
Domingos
Pereira diz que os jovens foram «claramente instrumentalizados» e aponta o dedo ao líder da Concelhia do PSD, Domingos Araújo,
a quem acusa de ser o «grande culpado de tudo o que aconteceu».
Em comunicado, a JSD refuta as acusações de Domingos
Pereira, garante que não tinha em seu poder qualquer objecto cortante ou outro susceptível de colocar em causa a integridade
das pessoas e diz que foi tratada de forma «selvagem» por membros do actual executivo socialista e elementos da segurança
da Câmara.
Garantem que foram impedidos de entrar no auditório onde iria decorrer a Assembleia Municipal e queixam-se
de terem sido «insultados, ameaçados e agredidos».
Dizem ainda que, «depois de todos os acontecimentos», os assessores
do actual executivo, Armindo Vila Chã e Vasco Real, «não têm mais condições para continuar a ocupar o cargo que ocupam», exigindo
assim a sua demissão.
Contactado pela Lusa, o presidente da Concelhia do PSD, Domingos Araújo, garantiu que só houve
problemas depois de o presidente da Câmara, «numa atitude déspota e autoritária», ter mandado fechar as portas do auditório,
«impedindo dezenas de pessoas de entrar».
Criticou ainda que a Câmara tenha chamado «capangas de discoteca e gorilas»,
só para impedir que «um grupo de jovens exercesse o seu direito à indignação».
Refutou que tivesse instigado os jovens,
lembrando que a JSD é uma estrutura «autónoma e independente, com a irreverência própria da juventude».
Esta sessão
da Assembleia Municipal foi convocada para debater o problema criado pela decisão do tribunal arbitral de condenar a Câmara
de Barcelos, de maioria PS, ao pagamento de 172 milhões de euros à Água de Barcelos, até 2035, para a reposição do equilíbrio
financeiro da empresa.
O contrato de concessão da água e saneamento foi assinado no mandato anterior, quando a Câmara
era liderada pelo PSD, tendo nos últimos dias havido uma troca de acusações entre social-democratas e socialistas, culpando-se
mutuamente por aquela condenação.
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