O primeiro-ministro entende que, até agora, não existe "nenhum indicador" que justifique alteração do “nível de risco” em Portugal, depois do ataque terrorista em Barcelona, que vitimou pelo menos 13 pessoas e fez 80 feridos, 15 deles graves. 

Os nossos serviços têm estado em contacto com as autoridades espanholas e até ao momento não há nenhum indicador que justifique alteração do nível de risco por parte do país”

Falando a partir de Castanheira de Pera, António Costa disse também, aos jornalistas, que o Governo não tem conhecimento de portugueses entre as vítimas. “Até agora”, o Governo não tem “qualquer indicação” nesse sentido.

O nível de ameaça terrorista em Portugal está em "moderado".

Em março, quando foi publicado o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI), ficou-se a saber que os serviços de informações têm "indícios já detetados no nosso país", que dão conta do "agravamento de alguns fatores de risco" da ameaça terrorista em Portugal.

Serviços de informações com acesso a metadados

O primeiro-ministro sublinhou que o ataque desta tarde demonstra, “mais uma vez, que a ameaça terrorista é uma ameaça global”. “Todos temos de estar preparados e temos sempre de nos ir aperfeiçoando”.

Nesse sentido, lembrou que esta semana foi promulgado pelo Presidente da República “um diploma muito importante” que permite aos serviços de informações o acesso a dados de comunicações, os metadados.

A experiência tem indicado ser uma ferramenta muito importante para, em vários pontos da Europa, terem sido evitados atentados”.

António Costa admitiu, contudo, que “é impossível evitar” algumas situações, como a que aconteceu esta tarde em Barcelona, “mesmo com todo o arsenal de ferramentas”. Mas, insistiu, “quanto mais e melhores forem os recursos” para prevenir, “menor é o risco”.

Marcelo fez chegar mensagem ao rei

O Presidente da República classificou o ataque como um “atentado ignóbil”, sublinhando a importância de resistência perante “o terrorismo desumano, violador dos direitos fundamentais das pessoas e que merece todo o repúdio”.

Tive oportunidade de fazer chegar a sua majestade o rei Felipe de Espanha o testemunho da solidariedade do povo português e a minha solidariedade perante este atentado ignóbil que atesta por um lado como é importante a resistência perante o terrorismo desumano, violador dos direitos fundamentais das pessoas e que merece todo o repúdio e perante o qual não há nem cedência, nem negociação, nem tolerância”.

 Ao final da tarde, o Presidente da República e o primeiro-ministro enviaram uma mensagem conjunta ao chefe do executivo espanhol e ao rei de Espanha manifestando “total solidariedade” e condenando o “ato terrorista” de Barcelona.