O deputado do CDS-PP João Almeida exigiu do ministro das Finanças, Mário Centeno, esclarecimentos sobre um empréstimo de 1,8 mil milhões do Santander ao Estado como contrapartida pela compra do Banif.

João Almeida dirigiu esta quinta-feira uma pergunta a Mário Centeno, questionando "se o Santander emprestou mais de 1,8 mil milhões de euros ao Estado, porque é que o fez, porque é que foi o Santander, a que taxa é que fez esse empréstimo, qual era a necessidade de financiamento que o Estado tinha naquele momento para fazer aquele empréstimo".

O deputado e dirigente centrista quer saber se esse empréstimo, noticiado hoje pelo Jornal de Negócios, foi incluído ou não na venda do Banif ao Santander e se "as contrapartidas estão ligadas umas às outras".

O CDS considera que esta situação que até hoje era desconhecida tem de ser muito bem explicada e que não podemos continuar a conhecer o processo Banif aos bocadinhos, com pequenos ou grandes (como é o caso deste) pormenores a serem revelados sem que os responsáveis políticos e da supervisão tenham dito o que fazia parte do negócio em concreto, quando tiveram oportunidade de o fazer neste parlamento", afirmou.

João Almeida ressalvou que os centristas têm "a noção institucional de como as coisas se devem fazer" e não vão pedir a presença de Mário Centeno no parlamento durante o processo orçamental, optando por endereçar uma pergunta ao ministro.

O Santander Totta disse hoje que a compra de quase 1.800 milhões de euros em títulos de dívida portuguesa não foi feita no "auge dos juros" e que a operação serviu para reduzir as necessidades de financiamento do Estado este ano.

O Jornal de Negócios noticia hoje que no âmbito da resolução do Banif e da compra de parte da atividade bancária deste pelo Santander Totta, que último banco aceitou emprestar 1,8 mil milhões de euros ao Estado, numa operação que aconteceu no "auge da subida dos juros da dívida".

Em comunicado hoje divulgado, a instituição liderada por Vieira Monteiro explica o acordo feito com o Estado, descrevendo que foi "no âmbito das medidas de capitalização para correção do balanço do Banif imediatamente anteriores à medida de resolução e à venda de ativos e passivos" que foi acordada "a aquisição [?], em data posterior, de títulos de dívida pública sob a forma de MTN ("medium term notes") no montante de 1.766 milhões de euros".

O banco diz que estava preparado para fazer essa operação desde o início de janeiro e que depositou o valor indicado no Banco Central Europeu (BCE) e que a data escolhida para a operação, de 22 de fevereiro, "foi indicada ao banco pelo IGCP [Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública] no dia 19 de fevereiro".