O ministro da Defesa reagiu, esta quarta-feira, ao atentado no aeroporto de Istambul, que fez 41 mortos, antes da partida dos militares portugueses para uma missão no âmbito da NATO. Apesar da preocupação com a situação no “flanco leste”, o ministro da Defesa encarou também com preocupação as situações que se verificam a sul.

“Portugal considera também que o flanco sul deve ser, pelo menos, uma prioridade tão significativa como o flanco leste, como infelizmente, diria eu, e tragicamente, foi confirmado mais uma vez com o atentado do aeroporto de Istambul”, disse Azeredo Lopes, referindo-se ao atentado suicida registado na terça-feira.

“Este Governo acredita firmemente que, nos tempos conturbados e difíceis que vivemos no flanco leste da NATO, que hoje damos um sinal muito claro de crédito e de capacidade com a deslocação desta bateria de artilharia de campanha”, acrescentou Azeredo Lopes. 

“Esta força é a afirmação de um compromisso, da unidade da Aliança Atlântica num desígnio que nós compreendemos e com o qual somos solidários”, disse Azeredo Lopes, no aeroporto militar de Figo Maduro, em Lisboa, perante a força que partiu para a Lituânia.

Os 108 militares do Regimento de Artilharia n.º 4, da Brigada de Reação Rápida, vão integrar a força “Light Artillery Batery/Assurance Measures 2016 e que, no total, será composta por 120 efetivos, entre os quais 14 mulheres.

A missão “Assurance Measures” vai prolongar-se até ao dia 31 de outubro, sendo que a bateria de artilharia de campanha que vai ser projetada na Lituânia vai efetuar, segundo o comandante da força, “essencialmente treino" no âmbito da Aliança Atlântica.

“Todas as missões têm um grau de exigência elevada, inevitavelmente, e, estando nós num país da União Europeia e num país da NATO, será essencialmente uma missão de treino, de mostrar que as forças da aliança trabalham em conjunto e que são uma força credível”, disse à Lusa o capitão de Artilharia Aires Almeida Carqueijo, comandante da força que partiu hoje para a Lituânia.

Ministro da Defesa otimista sobre o estreitar de relações entre a NATO e a UE

O ministro da Defesa Nacional, Azeredo Lopes, disse hoje, em Lisboa, que vê com otimismo o estreitar de contactos entre a NATO e a União Europeia na próxima cimeira da Aliança Atlântica, a realizar em Varsóvia.

A Cimeira da NATO realiza-se na Polónia entre os dias 8 e 9 de julho e, entre outros pontos, deve fixar a estratégia dos aliados no flanco leste, em virtude das posições da Rússia, sobretudo no contexto do conflito da Ucrânia e da anexação da Crimeia pelas forças de Moscovo.

O ministro da Defesa português disse no passado dia 23 de junho, numa conferência sobre as espectativas para a Cimeira de Varsóvia, que decorreu na Assembleia da República, em Lisboa, que os aliados devem alcançar novos consensos com a União Europeia, apesar da nova circunstância que emana do resultado do referendo no Reino Unido.

“O resultado foi, com muita pena minha, aquele que conhecemos. Na altura também afirmei que, se porventura o resultado do referendo determinasse, em princípio, a saída do Reino Unido da União Europeia, mais importante transformava o papel da NATO, considerando que se vier a concretizar-se essa saída, o Reino Unido só é membro de uma das organizações e é sabido que o Reino Unido tem desempenhado, na defesa europeia, no quadro da NATO, um papel muito importante”, disse hoje Azeredo Lopes aos jornalistas, na cerimónia de partida 108 militares para a Lituânia, onde vão integrar a missão “Assurance Measures” da NATO, até ao dia 31 de outubro.

Para o ministro da Defesa, no âmbito da Cimeira de Varsóvia, “trata-se agora” de continuar um processo que já se iniciou, porque, considerou, as relações entre a Organização do Tratado do Atlântico Norte e a União Europeia “estão já muito mais aprofundadas” na área da defesa.

“Eu não quero ser acusado de otimismo, mas o que me parece é que a situação até vai facilitar, porque vai demonstrar que nenhuma das partes - a partir de agora - se vai considerar demasiado autónoma. É evidente que o papel genético da defesa, no caso europeu, continua a ser assumido pela NATO. Isso é indiscutível e não quer a União Europeia duplicar a existência de uma nova organização de defesa coletiva”, acrescentou Azeredo Lopes.

Mesmo assim o ministro da Defesa vê como importante os aspetos que a União Europeia, por outro lado, pode acrescentar como entidade ligada à NATO.

“É evidente que a União Europeia pode propor medidas e ações que a organização NATO não tem capacidade ou vocação para desempenhar e, portanto, eu até vejo isto como uma oportunidade e não como um fator de crise”, frisou Azeredo Lopes.

O ministro da Defesa despediu-se hoje de manhã, no aeroporto militar de Figo Maduro, de 108 militares do Regimento de Artilharia n.º 4 que partiram para a Lituânia, onde vão integrar a missão “Assurance Measures” da NATO até ao dia 31 de outubro.

No total a Brigada de Reação Rápida vai ser composta por 120 militares, incluindo 14 mulheres. Esta é a primeira vez que Portugal empenha uma bateria no âmbito das missões “Assurance Measures”.