O ministro da Defesa condenou hoje que se faça “chacota” com as Forças Armadas e defendeu que o Governo fez o seu dever no caso de Tancos, numa resposta às críticas do presidente do PSD ao Executivo.

Na sua página na rede social Facebook, José Azeredo Lopes sustentou que em “política, como noutras esferas da vida, não devia valer tudo”, criticando ainda que para “se fazer oposição” não se hesite em “tentar a todo o custo” a partidarização do Exército.

O Governo fez o que lhe cabia e era seu dever, respondeu de forma célere e competente ao furto de Tancos e restabeleceu as condições de segurança do material militar à guarda das Forças Armadas, nomeadamente através da recolocação noutros paióis mais modernos, num tempo recorde, de mais de mil toneladas daquele material”, escreveu.

O presidente do PSD, Rui Rio, defendeu hoje que o país tem de exigir ao Ministério Público que rapidamente faça a “acusação correta” no caso do furto de material de guerra em Tancos, considerando o Governo “incapaz de dar mais respostas”.

Na sua intervenção no encerramento da Universidade de Verão do PSD, em Castelo de Vide, Rui Rio utilizou a ironia para descrever o roubo de material de guerra e recorreu mesmo a um célebre ‘sketch’ humorístico do falecido ator Raul Solnado sobre a ida à guerra para descrever a situação: “Os gatunos chegaram à guerra e estava fechada, aproveitaram para levar o que levaram”, gracejou.

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Na sua resposta, uma publicação com oito pontos, Azeredo Lopes reafirmou que não incumbe ao Governo a investigação do caso, que compete ao Ministério Público e defendeu que “é mau quando, para se fazer a oposição a qualquer preço, se confundem estes factos básicos, que se resumem …ao princípio da separação de poderes”.

“Se até aqui já é mau, é ainda pior, é péssimo quando, para se tentar ir “fazendo” oposição, se atacam ferozmente as Forças Armadas e, como no caso, o Exército, não se hesitando em tentar a todo o custo a sua partidarização”, acusou o ministro da Defesa.

Azeredo Lopes sustentou que “fazer chacota com as Forças Armadas ou com as suas chefias quebra um consenso de décadas” na democracia portuguesa e “fere instituições que tanto fizeram e fazem por Portugal”.

Na política, como noutras esferas da vida, não devia valer tudo”, acentuou Azeredo Lopes, que vai na próxima quarta-feira ao Parlamento prestar mais esclarecimentos sobre o caso de Tancos, furto que foi divulgado pelo Exército em junho do ano passado.