O PS apelou, nesta terça-feira, a um debate sério sobre a "realidade dura do desemprego" em Portugal, recusando as críticas sociais-democratas de "azedume" relativamente à taxa oficial de 12,4% registada em junho.

"Aquilo que nós apelamos é a um debate sério sobre esta realidade dura do desemprego em Portugal, sobre a realidade dura que os desempregados enfrentam", afirmou o vice-presidente da bancada do PS, Pedro Nuno Santos, numa conferência de imprensa realizada na sede do partido, em Lisboa.

Criticando o facto de o PSD ter voltado hoje "a vangloriar-se de uma taxa oficial de desemprego que já é de si elevada", Pedro Nuno Santos insistiu na acusação de que os sociais-democratas estão "a ignorar" as centenas de milhar de desempregados que não constam das estatísticas.

Entre estes, acrescentou, estão os 160 mil portugueses que frequentam programas ocupacionais, os 250 mil que desistiram de procurar emprego e os 500 mil que saíram do país.

"Não há nenhum azedume da nossa parte, mas há insatisfação, há descontentamento, há até indignação pela forma sistemática com que são ignorados as centenas de milhar de portugueses que não constam da taxa oficial de desemprego, mas que são efetivamente desempregados", sublinhou.

Questionado sobre o aumento da taxa de emprego hoje referido pelo porta-voz do PSD, Marco António Costa, o deputado socialista acusou os sociais-democratas de serem "muito cirúrgicos a escolher o período que lhes interessa".

Pois, continuou, ao avaliar a legislatura, entre junho de 2011 e junho de 2015 houve a "destruição líquida de 210 mil postos de trabalho".

Interrogado sobre as críticas dos trabalhadores do Instituto Nacional de Estatística (INE) sobre o "aproveitamento político" que tem sido feito à informação produzida pela instituição, Pedro Nuno Santos disse apenas que "é preciso respeitar uma instituição que está a fazer bem o seu trabalho".

"Não há nenhum problema com o INE, o INE cumpre aquilo que lhe é devido e faz bem o seu trabalho", frisou.

O vice-presidente da bancada do PS voltou a acusar o PSD de utilizar a questão da devolução da sobretaxa do IRS como "um instrumento eleitoralista", reiterando que só com base no "empolamento da receita" se pode fazer essa promessa.