As propostas são ponto assente no que toca a eleições sejam elas autárquicas, legislativas ou presidenciais. Mas, há propostas e propostas. Enquanto algumas são exequíveis outras são um tanto ou quanto estranhas de serem colocadas em prática. Para além dessas, há ainda as estranhas que surpreendem eleitores e opositores. 

É o caso da proposta do independente Humberto Correia candidato à liderança do município de Faro que fez do amor sua bandeira nestas eleições autárquicas. O candidato considera que Faro "tem um potencial turístico que não está a ser totalmente explorado" e propõe fazer da cidade o "destino do amor".

"Com Humberto presidente, haverá amor para toda a gente" é o slogan deste candidato estreante nestas andanças, mas nem por isso pouco crente que o amor o pode levar à vitória.

Humberto Correia, o candidato do amor

Mas Humberto Correia não é o único a ter uma proposta estranha. Subindo no mapa, chegamos a Coimbra, onde o candidato do PS, Manuel Machado, afirmou que, caso seja reeleito, a sua prioridade será a construção de um aeroporto na cidade.

Liderarei no próximo mandato autárquico a transformação do aeródromo de Coimbra, o Aeródromo Municipal Bissaya Barreto, em Cernache, num aeroporto civil comercial”, afirmou, na apresentação oficial da sua recandidatura, no dia 3 de setembro.

Para Manuel Machado, “a falta que um aeroporto faz às dinâmicas que Coimbra está a criar e a liderar é, por sinal, proporcional às limitações de oferta dos aeroportos que o país tem neste momento” a funcionar. O candidato socialista diz ainda que “Portugal tem falta de capacidade aeroportuária" e que a "Região Centro não tem nenhum aeroporto a funcionar no território dos seus concelhos”.

Por isso, esta decidido a criar as infraestruturas que faltam para que o aeródromo ajude "o país a ultrapassar os atuais constrangimentos de oferta aeroportuária" no centro do país e comece a receber voos low cost e voos charter que tenham como destino Coimbra e Fátima.

Depois de apresentada a proposta, os eleitores não perdoaram e rapidamente surgiram, nas redes sociais, imagens do novo aeroporto de Coimbra. 

 

E já que o tema são os transportes, a proposta de Assunção Cristas para Lisboa não pode ser esquecida. A candidata do CDS-PP à Câmara de Lisboa quer, nada mais nada menos, que 20 novas estações no metro na cidade.

A proposta da líder do CDS-PP surgiu depois de serem anunciadas, pelo Governo, duas novas estações na Estrela e em Santos, num prolongamento da linha amarela. 

Ou há rasgo, horizonte e ambição para o metro de Lisboa ou os problemas da área metropolitana não se vão resolver (... ). A nossa proposta são 20 novas estações para o metro de Lisboa e espero que possam ser estudadas, planeadas, financiadas e tratadas", afirmou Assunção Cristas, em pleno Parlamento, sendo acusada pelo primeiro-ministro de estar a fazer campanha eleitoral em pleno parlamento e de falta de lealdade para com a adversária do PSD, deputada no Parlamento, que se encontrava ausente da discussão.

Para estas novas 20 estações será necessário um pesado investimento, ao contrário do que será necessário para Eduardo Brito levar a cabo a proposta de criar uma moeda local em Guarda. 

O candidato do PS à Câmara da Guarda tem várias propostas para a cidade: revitalizar o mundo rural, criar emprego qualificado, criar a Casa do Clima, um pavilhão multiusos para acolher eventos, um Plano Municipal de Saúde, um programa de mobilidade concelhia, museus dos jogos tradicionais, da alimentação e do ar puro, entre outras. Mas a mais peculiar de todas é a moeda Sancho que só circulará no concelho.

"Uma moeda que todos nós vamos ter e que nos permite gastar [dinheiro] aqui e não gastar lá fora".  A ideia tem gerado opiniões contraditórias e há até quem discuta se a mesma é ou não viável no Twitter.

Outra das propostas estranhas destas eleições é a do candidato da coligação PSD/PPM à Câmara do Porto. Álvaro Almeida defende que há necessidade de acabar com a "praga das gaivotas" na cidade, um “perigo de saúde pública” potenciado pelos pontos de recolha de lixo insuficientes.

O candidato tem várias propostas, mas a principal é mesmo o fim da "praga" que atinge a cidade. Segundo Álvaro Almeida, "um erro de planeamento" da câmara presidida por Rui Moreira faz com que o lixo se acumule "fora dos locais próprios" e que os pontos de recolha sejam insuficientes. Estes dois aspetos fazem com que se potencie o problema ambiental, uma vez que as gaivotas se alimentam "desse lixo que está espalhado".

Temos de arranjar forma de controlar esta praga que até tem eliminado as pombas", frisou Álvaro Almeida, afirmando que o número de gaivotas é "de tal forma elevado" que se torna "num perigo para a saúde pública e numa ameaça para as crianças mais pequenas".

A última das propostas estranhas destas autárquicas - que a TVI24 conseguiu identificar - é a de José Couto, candidato do PS à Junta de Freguesia de Sabrosa, em Paredes.

O candidato socialista quer reduzir para metade o preço das sepulturas. Sim, leu bem. José Couto quer reduzir o custo das campas do cemitério para metade, ou seja, de 1500 euros para 750 euros.

O cartaz rapidamente se tornou viral nas redes sociais com vários utilizadores a afirmar que "nestas autárquicas há muitos candidatos que nos fazem lembrar o Odorico Paraguaçu numa distante telenovela brasileira (O bem amado)" e com outros a acusar os candidatos de usar os mortos "para tudo quando se trata de eleições".