O secretário-geral do PS fez hoje um claro apelo a um voto de protesto contra o Governo nas eleições autárquicas, dizendo que no próximo domingo os cidadãos devem dar voz à indignação, à mudança e à esperança.

António José Seguro falava no final de um comício com mais de mil pessoas no pavilhão do Núcleo Empresarial Regional de Castelo Branco (NERCAB).

«No próximo domingo é preciso dar voz à indignação, é preciso dar voz à vontade de mudança que há neste país e também sei que vamos todos dar voz a uma esperança que começa a nascer no interior de cada um de nós», declarou o líder socialista.

Seguro referiu depois que, geralmente, durante uma campanha, são os políticos que dizem aos eleitores que precisam do apoio deles.

«Mas, nesta campanha, ouvi o contrário, ouvi palavras de incentivo, gente a dizer que nós precisamos de si, força, não desista, porque precisamos do PS. E eu quero dizer aos portugueses que não vamos cruzar os braços, que podem contar com o PS, que o PS está aqui para ser solução e para ajudar a resolver os problemas do país», disse, elevando o tom da sua voz e recebendo uma prolongada salva de palmas.

Na sua intervenção, o secretário-geral socialista também moderou expectativas em relação ao futuro do país a médio prazo, dizendo que «não podem contar do PS com promessas que não podem ser cumpridas», algo que, na sua opinião, tem minado a relação de confiança entre os cidadãos e os eleitores.

Na capital da Beira Baixa, Seguro dedicou a primeira parte do seu discurso à questão do interior do país e levantou a plateia quando acusou o Governo de esquecer as zonas mais deprimidas de Portugal e acentuou que «não pode haver portugueses de primeira e outros de segunda».

Mas, neste comício, as primeiras palavras do secretário-geral do PS foram destinadas a fazer um rasgado elogio ao presidente da Câmara cessante de Castelo Branco, Joaquim Mourão - o primeiro orador da sessão -, considerando-o «o melhor» autarca de sempre desta cidade capital de distrito.

«Farei tudo o que puder para te ter junto de mim», afirmou o líder socialista, arrancando uma prolongada salva de palmas.