Os eleitores de Alpedriz, em Alcobaça, voltam a ser chamados a votar no próximo domingo, depois de um boicote ter impedido, no dia 29, a realização das eleições autárquicas naquela freguesia, confirmou hoje a câmara.

«Tudo está a ser feito para que seja cumprido aquilo que a lei determina e que a votação seja repetida no sétimo dia subsequente às eleições, ou seja, no próximo domingo», disse à agência Lusa fonte da Câmara de Alcobaça.

Os serviços da Câmara de Alcobaça asseguraram hoje à Lusa já ter sido feito «o edital a avisar a população da nova data» e terem sido nomeados os elementos das mesas de voto.

A mesa de voto instalada numa sala da junta de freguesia foi, no domingo, impedida de abrir, depois de, durante a noite do dia 28 para 29, desconhecidos terem «bloqueado a fechadura com um objeto metálico», relatou na manhã de domingo o presidente da junta, Helder Cruz.

De acordo com o autarca, o boicote à votação teve por base a contestação à agregação daquela freguesia às de Montes e Cós, formando, no novo mapa administrativo, uma união de freguesias.

O processo foi na altura contestado por Helder Cruz, que discordava da aliança com a freguesia de Cós e propunha, em alternativa, que a freguesia fosse agregada com a de Pataias.

As eleições realizar-se-ão na sede da junta, entre as 08:00 e as 19:00.

Já na localidade do Ourondo, Covilhã, os populares também voltam a ser chamados às urnas no domingo, exatamente uma semana depois de terem destruído a mesa de voto, inviabilizando a continuidade do sufrágio.

«A lei prevê que, numa situação como esta, o presidente de câmara marque nova data e já me ligaram do município a confirmar que os trâmites estão todos a ser respeitados e que volta a haver eleições no domingo», explicou à Lusa o ainda presidente da Junta de Freguesia do Ourondo, José Agostinho.

Este responsável garantiu ainda que não acredita que se verifiquem novos incidentes, mas assumiu que o «boicote pacífico» através de uma «grande abstenção» deverá ocorrer.

«Era o que estava previsto para ontem [domingo], mas a revolta das pessoas acabou por terminar como se sabe. Ninguém contava com um desfecho assim e portanto não acho provável que venha a repetir-se», disse.

José Agostinho reitera que os habitantes não «querem criar problemas» e justifica os atos de domingo com «a revolta que tem crescendo» contra a agregação da freguesia à de Casegas e que teve como «gota de água» o momento em que perceberam que alguns populares tinham furado o boicote (havia a promessa de que ninguém votaria) previsto.