O PSD obteve nas autárquicas de domingo, sozinho e coligado, um total de 106 presidências de câmara, o seu pior resultado desde que se realizaram pela primeira vez eleições para as autarquias locais, em 1976.

No ato eleitoral deste domingo, os sociais-democratas ganharam 86 câmaras em listas próprias e outras 20 em coligações: 16 com o CDS-PP, duas com CDS-PP e o PPM, uma com o PPM e uma com CDS-PP, PPM e MPT.

Quanto ao número de votos no conjunto do país, embora possa haver diferentes critérios de contabilização, o PSD obteve um dos valores mais baixos de sempre.

Porto, Coimbra, Portalegre, Vila Real, Gaia, Sintra, Covilhã, Tomar, Nazaré, Silves e Loulé foram algumas das câmaras que o PSD perdeu. Na região da Madeira, onde tinha todas as câmaras, ficou sem sete, incluindo o Funchal, e nos Açores tem agora menos três. Além disso, voltou a não vencer em Lisboa.

Em contrapartida, ganhou Braga e Guarda ao PS e manteve Bragança, Viseu, Santarém, Aveiro e Faro, continuando a ser a força política à frente de mais capitais de distrito: sete em dezoito, mais uma do que os socialistas.

O PSD conquistou também ao PS concelhos como Vieira do Minho, Alijó, Manteigas, Trofa, Torre de Moncorvo, Mira e Ribeira Grande.

Nestes 37 anos de eleições para as autarquias locais, o PSD nunca tinha vencido em tão poucos concelhos.

O pior resultado global tinha sido em 1989, quando os sociais-democratas obtiveram 114 presidências de câmara, uma das quais coligados com o CDS, contra 116 do PS, num total de 305 concelhos.

Nestas autárquicas, segundo os dados apurados, os sociais-democratas tiveram, sozinhos, aproximadamente 830 mil votos, um número só próximo dos cerca de 700 mil das eleições de 1979 e 1982, nas quais, contudo, a coligação de centro-direita Aliança Democrática (AD) obteve mais de um milhão de votos.

No ato eleitoral de domingo, as coligações integradas pelo PSD somaram aproximadamente 700 mil votos.

Há quatro anos, os sociais-democratas tinham tido perto de 1 milhão e 270 mil votos sozinhos e mais 870 mil coligados.

No domingo à noite, pouco depois das 23:30, o presidente do PSD assumiu a «derrota eleitoral nacional» do seu partido, referindo que a meta traçada de manter a maioria das presidências de câmara e, com isso, a Associação Nacional de Municípios, não tinha sido alcançada.

Pedro Passos Coelho afirmou que o PSD tinha registado «um dos seus piores resultados, ao nível daqueles em que no final dos anos 80 e em meados dos anos 90 alcançou também durante períodos de governação mais exigente» e cumprimentou o PS pela sua «vitória expressiva» e «significativa» em termos nacionais.

Considerando que «há sempre leituras nacionais a fazer de eleições autárquicas», o também primeiro-ministro sustentou que os candidatos às eleições autárquicas apoiados pelo PSD pagaram um preço por não terem cedido ao populismo e deixou «uma palavra de conforto a todos aqueles que disputaram estas eleições em condições tão desfavoráveis».

Nesta eleição, ao contrário do que aconteceu há quatro anos, o PSD não apontou como objetivos conseguir o maior número de votos nem a maioria de mandatos autárquicos.

Em 2009, como agora, o PSD falhou essas duas metas, mas reclamou vitória ao ganhar 117 presidências de câmara sozinho e 22 coligado, totalizando 139, contra 132 do PS.

De acordo com os dados disponíveis na página da Internet da Direção-Geral da Administração Interna cerca das 18:00, falta ainda apurar uma freguesia (além de outras duas onde não se realizou a votação no domingo) e atribuir a presidência da Câmara Municipal de Caminha.