O candidato do PS à Câmara do Porto, Manuel Pizarro, acusou Luís Filipe Menezes (PSD) de «fazer demagogia em torno de pretensas benesses sociais» em Gaia e no Porto e prometeu finanças rigorosas na autarquia.

«Os cidadãos de Gaia pagam em cada ano 17 milhões de euros a mais do que pagariam se as tarifas de água fossem iguais às do Porto. É absolutamente ridículo que depois se diga que se dão coisas às famílias, como manuais escolares», afirmou Pizarro, sublinhando que este «é um belíssimo exemplo» das contas à moda de Menezes.

Criticando o candidato do PSD à Câmara do Porto por «fazer demagogia em torno de pretensas benesses sociais», o socialista comentou assim as críticas do presidente da Câmara do Porto, Rui Rio (PSD), à gestão de Menezes na Câmara de Gaia e ao seu partido pela escolha «que vai destruir tudo o que foi feito» na cidade.

Para Pizarro, é «essencial assegurar uma gestão financeira rigorosa da Câmara, de modo a que as pessoas paguem o menos possível e a que sobre para a autarquia a capacidade de fazer coesão social, o que significa redistribuir por quem necessita e não fazer demagogia em torno de pretensas benesses sociais».

O socialista considerou que a entrevista de Rio à RTP1 «clarifica que o espaço político da direita no Porto está profundamente dividido e mostra bem que há uma alternativa preocupada com a cidade», que é a candidatura do PS.

Pizarro defendeu ainda não existirem muitas diferenças entre «os dois candidatos de direita» à Câmara do Porto, Luís Filipe Menezes e Rui Moreira (independente que conta com o apoio oficial do CDS).

«Há hoje uma brutal divisão no espaço político da direita no Porto. Há dois candidatos nesse espaço. São diferentes, mas não são tão diferentes quanto isso», afirmou.

«A verdadeira diferença é o projeto do PS para o Porto, que combina rigor nas contas com uma nova ambição para a economia e emprego na cidade, e com uma preocupação de coesão social que não vejo nenhum dos candidatos de direita ter», sublinhou.

Sem dizer se concorda com as críticas de Rui Rio, o socialista preferiu censurar a gestão de Menezes.

«Primeiro tiram-se às famílias 17 milhões de euros na água, no saneamento e no lixo e depois distribuem¿se umas migalhas a fazer de conta que se está a fazer coesão social», observou.

O presidente da Câmara do Porto, Rui Rio (PSD), revelou na terça-feira não poder apoiar nem votar no candidato social-democrata à autarquia portuense e criticou o partido pela escolha «que vai destruir tudo o que foi feito» na cidade.

«Se apoiasse Luís Filipe Menezes era hipócrita. Se não dissesse nada era oportunista. Todos os dias faz promessas e promessas e promessas¿ Tenho a obrigação ética de me demarcar muito claramente do candidato que vai destruir tudo o que foi feito. Isto descredibiliza os partidos», lamentou o autarca, em entrevista à RTP1.

Afirmando-se «desgostoso», Rui Rio reprovou o PSD por estar «a infligir pesadas medidas aos portugueses dizendo que a culpa é de quem endividou o país» e, ao mesmo tempo, escolhe «para o Porto Luís Filipe Menezes, que em Gaia fez pior do que os antecessores socialistas que [o Governo] critica».

«Tenho a obrigação de demarcar do meu partido. Não é politicamente honesto porque o partido que durante 12 anos disse uma coisa [aos eleitores do Porto], agora diz algo completamente diferente», escreve a Lusa.