João Teixeira Lopes é o candidato do Bloco de Esquerda à Câmara do Porto, ficando claro que não há coligação PS/BE, confirmou esta segunda-feira o ex-deputado bloquista, que lançou fortes críticas a Elisa Ferreira, refere a Lusa.

O professor universitário confirmou a escolha do seu nome pelo BE, lamentando que «a candidata que se perfilaria contra a crise tenha tido a sua génese no que o Governo teve de mais radical e extremista contra a sociedade civil».

«Elisa Ferreira foi chamada do seu exílio no Parlamento Europeu por José Sócrates como artista convidada para fazer frente à luta dos professores», acusou Teixeira Lopes, numa alusão à escolha do nome da eurodeputada para intervir no comício do Verão de 2008 no Pavilhão do Académico perto do qual houve no mesmo dia uma concentração de docentes.

Para o bloquista, Elisa Ferreira é «uma candidata fortemente partidarizada, dependente de José Sócrates e do aparelho do PS/Porto, que tão rapidamente secundou José Lello das críticas pouco elegantes que dirigiu a Manuel Alegre».

Teixeira Lopes considerou ainda a eurodeputada «uma candidata de um tempo velho. Quem olhou para a apresentação da sua candidatura viu na sala Pinto da Costa, Mário Soares, Fernando Gomes e Orlando Gaspar pai e filho».

«São razões mais do que suficientes para considerar que Elisa Ferreira não é a candidata alternativa que todos desejávamos para a cidade», disse.

O candidato recordou ter há um ano apelado a coligações à esquerda mas, «na altura, todos responderam que não».

«Elisa tem de incluir as pessoas a título individual nas suas listas, mas isso não é uma coligação», disse Teixeira Lopes, para quem é «extraordinária a forma como ela disse estar aberta a coligações à esquerda e à direita, tentando abarcar todo o eleitorado».

Teixeira Lopes criticou também o executivo de Rui Rio, nomeadamente por ter «arrasado» a actividade cultural da cidade e «descaracterizado os espaços públicos com instalações de empresas privadas».

«A qualidade da democracia deteriorou-se, como se vê na cláusula a que a Câmara obriga todos os que com ela assinam contratos e que proíbe qualquer crítica ao seu funcionamento», frisou o candidato.

Teixeira Lopes alertou também para os «muitos sinais de especulação imobiliária, nomeadamente na Quinta da China, no Bairro do Aleixo e no Parque da Cidade, onde tem permitido construções aos retalhos, indo contra as suas promessas».