O plenário de aderentes do Bloco de Esquerda de Lisboa aprovou esta quarta-feira um acordo a celebrar entre o BE e o PS na Câmara Municipal da capital, disse à Lusa fonte oficial bloquista.

A convocatória do plenário, que decorreu esta noite em Lisboa, tinha como único ponto da ordem de trabalhados a "análise e deliberação sobre eventual resultado das negociações sobre a Câmara Municipal de Lisboa" e decorre esta noite, à porta fechada, na véspera da primeira reunião do executivo camarário.

As negociações entre PS e BE foram estabelecidas logo após os resultados das eleições autárquicas de 1 de outubro, que ditaram a vitória do socialista Fernando Medina, perdendo a maioria absoluta, e a eleição de Ricardo Robles.

A "viragem política" necessária à aceitação de pelouros por parte do BE deveria incluir "a construção de creches municipais, o resgate da taxa de turismo, a recuperação dos transportes públicos ou a concretização de programas de habitação que protejam as famílias contra despejos abusivos e substituam a PPP [parceria público-privada] prevista por um programa de habitação integralmente público".

Estas foram as condições avançadas publicamente pelo Bloco no início das negociações com o PS, de acordo com as prioridades definidas na campanha eleitoral.

O socialista Fernando Medina foi eleito no dia 1 de outubro presidente da Câmara de Lisboa, com 42,02% dos votos, mas perdeu a maioria absoluta na capital, ficando com menos três vereadores do que em 2013. À esquerda, o BE conseguiu um mandato e a CDU (PCP/PEV) manteve os dois que já tinha.

Fernando Medina manifestou-se disponível para procurar "acordos o mais abrangentes possíveis" para governar a capital e a coordenadora do BE, Catarina Martins, declarou-se favorável a "maiorias de transformação à esquerda", com "acordos com base programática" tendo em conta as prioridades elencadas na campanha eleitoral, como as creches, transportes, da taxa turística em prol da cidade "e não dos hoteleiros" e de políticas para habitação.