Rui Moreira garantiu, esta terça-feira, que “nunca prejudicou o interesse público” nem beneficiou o interesse privado, na questão relacionada com a compra de um terreno pela imobiliária Selminho, empresa de que é sócio com os irmãos, na Escarpa da Arrábida, junto a um dos pilares da ponte, no Porto.

Em entrevista no “Jornal das 8” da TVI e na “21ª Hora” da TVI24, o presidente da Câmara do Porto, e de novo candidato à autarquia, garantiu que não fez nada que prejudicasse a Câmara no caso em que é acusado de uma sucessão de ilegalidades e habilidades processuais destinadas a permitir um benefício de milhões à família e a ele próprio.

Eu não fiz nada que prejudicasse a Câmara ou beneficiasse essa empresa, em primeiro lugar. Em segundo lugar, também não omiti nada. Nem por ato nem por omissão, eu prejudiquei o interesse público ou beneficiei o interesse privado”, defendeu.

A imobiliária Selminho está em litígio com a autarquia há mais de uma década por querer construir num dos terrenos na Escarpa da Arrábida que não é autorizado pelo Plano Diretor Municipal (PDM).  Esses terrenos, soube-se em maio, estão maioritariamente registados em nome da família Rui Moreira e da Câmara do Porto.

Na entrevista a Judite Sousa, o autarca recusou dar mais explicações sobre o caso Selminho porque considera que ficou tudo esclarecido em Assembleia Municipal e garantiu que não alinha com campanhas negras.

“Eu já expliquei esse assunto e não vou voltar a explicar. Peço-lhe desculpa. Expliquei-o na Assembleia Municipal. O assunto foi claramente esclarecido”, respondeu o autarca, quando questionado pela jornalista.

Eu não vou alinhar com uma campanha negra que foi feita, que teve o seu tempo e que teve o seu epílogo. No momento em que eu entendi que, se eu não era chamado à Assembleia Municipal (porque ela nunca me quis ouvir), fui lá e dei as explicações e considero que as explicações estão dadas”.

Ao contrário do que desejava Rui Moreira, o caso Selminho saltou dos corredores da Câmara para a rua e ficou exposto aos olhos de todos, transformando-se numa arma de arremesso eleitoral.

Questionado sobre o motivo pelo qual não se desliga da empresa familiar, o autarca resumiu o caso em “quatro pontos” e defendeu que não há conflitualidade de interesses.

“O caso Selminho começa com um conjunto de emails anónimos que alguém resolveu distribuir com um conjunto de mentiras. A seguir, apareceu um partido político que anunciou publicamente, e disse-o no [semanário] ‘Expresso’ que iria fazer uma campanha suja. A seguir, aquilo que aconteceu foi que surgiram alguns trabalhos de investigação nos jornais em que o título das notícias não coincidia com o texto que lá dentro vinha explicado. Não há conflitualidade nenhuma. Eu a seguir convoquei uma Assembleia Municipal e fui à Assembleia Municipal e expliquei tudo em Assembleia Municipal, que é o órgão fiscalizador da Câmara e, sobre este assunto, eu não falo mais”, rematou.

"Se não tiver maioria absoluta, não farei uma coligação a qualquer preço"

Durante a mesma entrevsita, o presidente e, de novo candidato à Câmara do Porto pelo movimento "Porto, o nosso partido", reconheceu que a expetativa é vencer as eleições autárquicas e, de preferência, com maioria absoluta.

A minha expetativa é a mesma que tinha exatamente há quatro anos. Há quatro anos por esta altura, por volta do S. João, convenci-me que ia vencer as eleições e a minha expetativa é ter esse resultado. Ou seja, vencer as eleições. Toda a gente que tem expetativa de vencer as eleições, tem expetativa de vencer com maioria absoluta”, afirmou.

Reconhecendo que seria mais fácil ganhar as eleições com o apoio do PS, com quem rompeu, Rui Moreira afirmou que não enjeita voltar a fazer um acordo com os socialistas, mas deixou claro que independente é independente.

As pessoas devem perceber que quando votam no nosso movimento, devem perceber quais são as regras. E as regras são claras: se não tiver a maioria absoluta, não farei uma coligação a qualquer preço. Terá de ser na base de um trabalho continuado de dizermos assim: nós temos um projeto e, se for eu o vencedor, as pessoas têm de interpretar o meu projeto político.”

Há quatro anos, Rui Moreira obteve um dos mais impressivos resultados eleitorais, ao derrotar os principais partidos políticos na segunda maior cidade do país, com quase 40% dos votos.

Agora volta a candidatar-se, mas, depois de um desentendimento com o PS, apresenta-se como independente, com o apoio do CDS-PP. Explicando que não se estava a referir a ninguém em especial, Rui Moreira fez uma exigência.

Imagine que eu tenha maioria relativa e não tenha maioria absoluta, só estarei interessado em contar com pessoas que eu considere que são competentes e, acima de tudo, pessoas de caráter, como é evidente. Que foi exatamente o que fiz há quatro anos, quando fizemos o acordo com o PS e escolhemos duas pessoas, que demonstraram que eram competentes e de caráter.”

Chamado a definir as ideias essenciais do projeto político que defende, Rui Moreira disse que, se for reeleito, o grande objetivo é conseguir sustentabilidade social e prometeu boas contas na autarquia.

“A primeira condição é muito cara aos portuenses é um trabalho de 16 anos, começou com os 12 anos de Rui Rio e que tenho a certeza nestes quatro anos temos continuado: boas contas. Uma cidade que tem ótimas contas”