O PS criticou esta quarta-feira as «medidas cegas» do Governo na área da Saúde, apontando que tem de haver uma «separação de águas» entre os setores privado e público na saúde.

«Tem havido nestes últimos dois anos um conjunto de medidas de austeridades que afetaram decisivamente os cuidados de saúde dos portugueses», afirmou o secretário nacional do PS para a área da saúde, Álvaro Beleza, em declarações à Lusa.

O socialista diz, por exemplo, que cerca de 40% dos portugueses não consegue fazer face às despesas de saúde do seu agregado familiar e que um em cada cinco portugueses deixou de ir ao médico por motivos monetários.

O Orçamento do Estado (OE), sublinha, não pode servir para «financiar lucros privados», antes o serviço público de saúde «que todos os portugueses têm direito e usam», já que mesmo os que por tradição recorrem ao privado em situações mais sensíveis acabam por recorrer ao público.

O Governo, declarou também o dirigente socialista, tem optado por «medidas cegas» em vez de fazer «o que tem de ser feito», nomeadamente uma reforma hospitalar e a criação de centros de referência e excelência para o setor.

«É preciso coragem para tomar essas medidas e não tomar medidas cegas mas não estruturais para a melhoria do sistema de saúde», reclama Álvaro Beleza.

O PS diz ainda que o crescimento da mortalidade infantil, um «indicador de sucesso» do Serviço Nacional de Saúde, que em 2010 atingiu o seu valor mais baixo de sempre, atesta os erros políticos recentes do setor.