O secretário-geral do PCP disse este domingo que o primeiro-ministro Passos Coelho entrou «no domínio da farsa» ao anunciar as políticas sociais como prioridade, quando o Governo «empurrou milhares de portugueses para o limiar de pobreza».

Jerónimo de Sousa, que falava no encerramento da IX Assembleia da Organização Regional de Aveiro do PCP, acusou os partidos da maioria de, tal como noutras ocasiões pré-eleitorais, virem «anunciar boas novas e prometer um futuro melhor», que depois não se confirma.

«O descaramento é tal que, não só anunciam uma promissora viragem na situação do país pós-troika, quando se sabe que preparam com essa mesma troika novas e graves medidas penalizadoras», disse o líder comunista, citado pela lusa.

De acordo com Jerónimo de Sousa, Passos Coelho veio esta semana «anunciar à pressa», e praticamente no mesmo dia em que o Instituto Nacional de Estatística revelava «um escandaloso aumento da pobreza», a prioridade às políticas sociais.

O líder do PCP salientou tratar-se do mesmo Governo que «retirou e limitou o subsídio de desemprego, que congelou o salário mínimo, o complemento social do idoso e o rendimento social de inserção, que retirou o abono de família a milhares de crianças» e diversas prestações sociais.

«Estamos no domínio da farsa. É justo perguntar: este Governo quer voltar a enganar quem? Aqueles a quem disse que os sacrifícios eram temporários e os salários e reformas eram sagrados, que não iria aumentar os impostos?», interrogou.

Jerónimo Sousa salientou que «foi este Governo que, sem dó nem piedade, empurrou para o limiar da pobreza milhares de portugueses logo nos seus dois primeiros anos de governação (cerca de 25% da nossa população passou a estar nessa situação em 2012, ou seja, mais 518 mil pessoas que em 2010) como está patente nos dados do INE».

Para o líder do PCP, assiste-se a «uma campanha mistificadora que não é mais do que a tentativa de iludir os portugueses, tentando com base na mentira garantir ganhos eleitorais, criando a ilusão de que em breve a vida estará melhor e justificar que os sacrifícios compensaram».

O PS não passou também imune às críticas do líder comunista, que acusou aquele partido de estar comprometido com o Tratado Orçamental para prosseguir o mesmo tipo de políticas «de submissão do país ao garrote da dívida», sendo necessário um novo caminho que o PCP já apontou, através da renegociação da dívida.

«São cada vez mais as vozes que se levantam a dizer que a dívida é insustentável, o mesmo que o PCP dizia há três anos, e nesse sentido vai apresentar um projeto de resolução na Assembleia da República», reafirmou.