O ministro dos Negócios Estrangeiros informou esta sexta-feira, em Bruxelas, que Portugal vai apoiar a eventual decisão da NATO de aumentar as capacidades de formação no Iraque, onde estão 32 militares portugueses em serviço.

Portugal “exprimiu a sua disponibilidade para apoiar um novo passo, se a NATO entender fazê-lo, na cimeira de Varsóvia”, que passa por aumentar as capacidades de formação no interior do país, “mais uma vez a pedido das autoridades iraquianas”, afirmou o governante.

A cimeira de Varsóvia da NATO decorrerá entre 8 e 9 de julho, com a presença do primeiro-ministro português, António Costa.

No segundo e último dia de reunião dos chefes da diplomacia na sede da NATO, o ministro referiu ainda que Aliança Atlântica e União Europeia (UE) devem estar preparadas para apoiarem a Líbia, nomeadamente na formação de forças de segurança, “se e quando” as autoridades locais o solicitarem.

“Neste momento (a Líbia) tem um Governo de unidade nacional e, portanto, a fórmula que nós usamos e que, aliás os portugueses conhecem bem, é: se e quando as autoridades líbias pedirem apoio internacional, designadamente para a capacitação e para a formação dos seus elementos de segurança e de defesa”, afirmou.

Santos Silva resumiu que “quer a NATO, quer a União Europeia devem estar em condições para providenciar esse apoio”.

NATO e UE vão formalizar estreitamento de relações em julho

O ministro dos Negócios Estrangeiros disse ainda que A NATO e a União Europeia vão fazer uma declaração política na próxima cimeira da Aliança do Atlântico Norte, em julho, para estreitar relações no que toca à crise migratória.

Este encontro inédito terá desenvolvimentos, no início de julho, na cimeira da NATO, em Varsóvia, no âmbito do “reforço da cooperação e da articulação dos esforços da UE e da NATO na provisão de segurança, nas questões da segurança cooperativa e na dimensão da gestão das crises”.

O estreitamento das relações deverá “prevenir a duplicação de esforços de recursos e de meios”, afirmou o ministro, exemplificando com duas operações que decorreram ao largo da Somália e que “no princípio, não comunicavam entre si”.

“Neste momento a participação da NATO com uma intervenção não militar no mar Egeu de apoio ao reconhecimento, à vigilância e ao combate ao tráfico ilegal de pessoas tem tido resultados positivos” pelo que é preciso coordenar operação Sophia, no âmbito do quadro da UE, com a “nova operação que a NATO vai desenvolver na mesma área”, disse.

Para o ministro deve prevalecer a lógica de 360º também no combate às rotas de tráfico humano, “na defesa de vidas humanas” em todo o mar Mediterrâneo.

Do ponto de vista político haverá uma declaração conjunta entre a NATO e a UE em Varsóvia, enquanto do ponto de vista operacional deverá existir uma melhor coordenação das operações de segurança conduzidas pelas duas organizações, resumiu o governante aos jornalistas.

Nesta reunião de dois dias dos ministros dos Negócios Estrangeiros da Nato, na sede da NATO, Santos Silva destacou ainda a assinatura do protocolo de adesão do Montenegro à NATO.

“Portugal apoiou e apoia ativamente esta integração do Montenegro na NATO porque nos parece muito importante para o espaço euro-atlântico que ele compreenda também os países dessa região bastante sensível do ponto de vista da de segurança”, comentou.

Dos Balcãs Ocidentais já integram a NATO a Albânia, Croácia e a Eslovénia.

Outro ponto na agenda foi a ameaça terrorista, o que implica que a NATO aja numa “lógica de 360º: ser capaz de projetar estabilidade quer a Leste quer a Sul de si própria”, segundo o governante.

Na quinta-feira à noite decorreram discussões sobre as relações entre a NATO e a Federação Russa, com Portugal a defender que o relacionamento deve ser pautado pela “firmeza, do ponto de vista de assegurar a defesa coletiva dos membros da NATO e o diálogo político”.