O PSD lamentou esta sexta-feira a queda do indicador de atividade económica, que caiu para valores negativos, acusando o Governo de ter uma "abordagem irrealista", vivendo em "permanente negação" perante a divulgação de vários dados económicos.

"O Governo tem persistido numa abordagem irrealista e de recusa em confrontar os problemas. E as reações do primeiro-ministro e dos ministros a todos estes dados tem sido de permanente negação", vincou Miguel Morgado, vice-presidente da bancada parlamentar do PSD, em declarações à agência Lusa.

O deputado falava no dia em que se soube que o indicador de atividade económica abrandou em maio pelo sexto mês consecutivo, atingindo pela primeira vez desde agosto de 2013 um valor negativo, de acordo com os dados divulgados pelo Banco de Portugal (BdP).

O PSD sublinha que este é o "pior registo desde o verão de 2013, exatamente o momento em que se iniciou a recuperação económica do país", à época com o executivo PSD/CDS-PP, liderado por Pedro Passos Coelho, no poder.

Outros dados recentes em áreas como as "exportações, investimento e confiança dos agentes económicos" fazem com que o PSD, "serenamente", apele ao Governo para uma mudança de rumo.

"O PSD, serenamente, apela ao Governo para que corrija a sua política económica, assente os pés na terra, e opte por uma abordagem mais prudente e de proteção dos portugueses, porque os resultados negativos para a economia portuguesa não são inevitáveis", sustenta Miguel Morgado.

Em maio, o indicador coincidente mensal para a atividade económica apresentou uma redução, ao passar de 0,1 em abril para -0,1 em maio, uma queda que acontece pelo sexto mês consecutivo.

Por sua vez, o indicador coincidente mensal para o consumo privado "manteve o perfil de redução ligeira" iniciado em fevereiro, fixando-se em 2,0 face aos 2,2 registados em abril, após a estabilização observada desde meados de 2015.

Os indicadores coincidentes do BdP são indicadores compósitos que procuram refletir a evolução de determinado agregado económico.

O indicador do consumo privado avalia, através de informação quer quantitativa quer qualitativa a evolução dos gastos das famílias em bens de consumo como alimentos, vestuário, lazer, educação, saúde, excluindo as despesas em bens duradouros como habitação, que são consideradas investimento.

Já o indicador coincidente da atividade económica reflete a tendência geral acerca dos desenvolvimentos económicos.