A candidata presidencial Marisa Matias disse este domingo, em Paris, acreditar que os portugueses emigrados em França não vão ter "uma resposta xenófoba" na sequência dos atentados de 13 de novembro na capital francesa.

Marisa Matias, que jantou em Paris com militantes do Bloco de Esquerda, afirmou aos jornalistas que "não há nenhuma guerra de civilizações, o que há é terrorismo", dizendo ter "a certeza absoluta que no dia 13 de novembro houve 1300 milhões de muçulmanos a condenar tanto estes ataques como condenaram católicos, judeus, ateus", alertando para "a situação dramática dos refugiados" que continuam a chegar à Europa.

"Se nós olharmos para a história de Portugal na década de 60, também havia muros e fronteiras, tudo policiado, patrulhamento por todo o lado, ninguém podia sair e um milhão de portugueses - porque precisaram desesperadamente de melhorar a sua vida e procurar um outro destino para fugir à ditadura - passaram a fronteira, saíram a salto", afirmou.


A candidata a Belém apoiada pelo BE disse que "os portugueses, tendo esta história, saberão reconhecer nas pessoas que procuram salvar as suas vidas alguma história comum", sublinhando não acreditar "que haja uma resposta xenófoba mas apenas uma resposta de solidariedade" face ao fluxo de refugiados que chega à Europa e às notícias de que dois alegados kamikazes dos atentados de Paris teriam entrado na Europa juntamente com os refugiados.

Questionada sobre as intenções presidenciais relativamente à diáspora portuguesa, Marisa Matias disse que "não tem sido dada a devida atenção" aos portugueses que vivem no estrangeiro, defendendo que "os portugueses têm todos direito a dignidade e a ver os seus direitos garantidos estejam em Portugal ou fora de Portugal", e sublinhando que os emigrantes "não são menos portugueses por estar fora de Portugal".

A mais nova candidata a estas presidenciais disse que "a emigração tem sido um ponto importante no trabalho realizado como eurodeputada", exemplificando com a ajuda "na medida do possível" ao Movimento dos Emigrantes Lesados do BES".

A porta-voz do Movimento dos Emigrantes Lesados do BES/Novo Banco, Helena Batista, esteve no jantar deste domingo - e pretende encontrar os outros candidatos presidenciais que passarem por Paris - tendo Marisa Matias dito que "o que se passou com o BES é uma vergonha e o que se continua a passar com o BES é uma vergonha".

"Eu, ao contrário do Presidente da República, não tenho amigos no BES, portanto, não terei nenhum interesse particular a proteger, a não ser o interesse coletivo mas esse é de todos. As garantias são as de fazer cumprir a Constituição e a garantia que são tratados todos por igual. Nós não podemos ter presidentes ou representantes que estão ao serviço de grupos de interesse e depois põem em causa não só o interesse coletivo mas também a nossa própria independência", declarou.


A eurodeputada afirmou, também, que se for eleita "seria seguramente a Presidente mais constitucional que Portugal alguma vez teve", argumentando que, "nos últimos dez anos, houve ataques sucessivos" ao documento e que se candidata porque "é preciso uma maneira diferente de fazer política", porque "as instituições têm que estar ao serviço das pessoas e não contra elas".

Marisa Matias acusou Cavaco Silva de ter entrado "em colisão com a Assembleia da República" e de ter procurado "nestas últimas semanas converter o sistema político em Portugal e transformá-lo de um sistema semiparlamentar a um sistema superpresidencialista".

A candidata do BE às eleições presidenciais de 24 de janeiro avançou que se for eliminada à primeira volta apoiará "qualquer um dos candidatos ou das candidatas da esquerda que passe à segunda volta", defendendo que "uma candidatura não é uma passadeira vermelha", que "não há vencedores à partida" e que "a multiplicação de candidaturas fez com que já se comece a colocar um cenário em que o candidato da direita não tem vitória à primeira volta".