O líder parlamentar do CDS-PP defendeu esta quarta-feira "o reforço da resposta europeia" e dos estados afetados pelo terrorismo em matérias judiciais, administrativas e de segurança, defendendo a "coordenação" e um "entendimento substancial" com a Rússia.

"Como reconhece o Presidente Francês, o mesmo se diga, aliás, quanto aos aspetos de legislação de nacionalidade ou imigração: A Europa acolhe e integra; mas não deve hesitar em vigiar atentamente e se necessário expulsar quem conspira contra a sua segurança. É inevitável o reforço da resposta europeia, e dos estados afetados em matérias judicial, administrativa e de segurança", afirmou Nuno Magalhães.

Falando no parlamento, no período de declarações políticas, o líder da bancada centrista defendeu, a propósito dos ataques terroristas em Paris, que as clausulas que garantem “proteção mútua em caso de ataque” devem ter a sua “utilidade validada”, numa intervenção em dedicou parte substancial à defesa da proximidade com a Rússia para o combate ao terrorismo.

Na sequência dos ataques em Paris o Governo francês decidiu ativar o artigo 42 do Tratado de Lisboa da União Europeia, referente a defesa comum entre os Estados-membros.

"Não havendo solução para a tragédia da Síria fora da comunidade internacional, e dispondo a Rússia de voto no Conselho de Segurança, só se evitará o prolongamento dramático e do caos na Síria, com um entendimento substancial entre, pelo menos, as potências do Conselho de Segurança, o que inclui, como sabemos, europeus e russos", defendeu.

Nuno Magalhães sublinhou que a bancada do CDS não confunde "a Rússia com a União Soviética" e argumentou que "a Europa terá sempre diferenças, no plano dos direitos humanos, comuns à Rússia. Mas basta ser realista para perceber que a União Europeia e a Rússia têm interesses não divergentes em matérias de consulta a esta matriz de terrorismo".

De acordo com o líder parlamentar centrista, a evidência de que se está "perante um fenómeno global e não meramente nacional revela como está desatualizada a retórica da dissolução dos blocos político militares", considerando que "o mundo ocidental precisa de uma Europa segura e de uma aliança atlântica forte".

"Nenhum país providencia sozinho a sua segurança, perante ameaças deste calibre e perigosidade. É portanto natural que as clausulas que nos garantem proteção mútua em caso de ataque vejam a sua utilidade validada. Um certo pacifismo ingénuo, não é definitivamente resposta de estados sérios e sociedades abertas à evidência do terrorismo como uma espécie de quinta coluna em solo europeu", sublinhou.

Nuno Magalhães considerou, no mesmo sentido, "inaceitável que uma certa dimensão do ‘politicamente correto', que tende sempre a justificar o injustificável - e, pior, a explicar é abominável - venha iludir os europeus sobre o que está em causa".

"Há uns anos, um estranho debate [sobre uma Constituição Europeia] impediu a União Europeia de referir a tradição judaico-cristã como origem da sua forma de olhar e viver a civilização. Nos dias de hoje, esse medo das nossas referências, esse receio dos nossos valores, refletem um desarmamento ético perigoso inconsciente, do nosso continente", disse.

Para Nuno Magalhães, "a cidadania europeia implica uma adesão voluntária e nítida aos valores da liberdade, democracia e tolerância".

O grupo extremista Estado Islâmico reivindicou no sábado, em comunicado, os atentados de sexta-feira em Paris, que causaram pelo menos 129 mortos, entre os quais dois portugueses.

Os ataques, perpetrados por pelo menos sete terroristas, que morreram, ocorreram em vários locais da cidade, entre eles uma sala de espetáculos e o Stade de France, onde decorria um jogo de futebol entre as seleções de França e da Alemanha.