O comissário europeu Carlos Moedas considerou que a partilha de informação é o ativo mais importante para combater o terrorismo e que os atentados de hoje em Bruxelas "infelizmente não vão ser os últimos".

Em declarações à Lusa a partir da sede da Comissão Europeia, em Bruxelas, o comissário disse estar convencido de que "é a partir da partilha de informação que vamos poder ter a capacidade de reagir a este tipo de ataques e a um modus operandi muito diferente daquilo que temos conhecido até agora".

Para Carlos Moedas, é importante trabalhar mais na troca de informação entre os Estados-membros e a União Europeia: "Todas estas situações são muito imprevisíveis e é com isto que os terroristas jogam, com criar o medo e atacar valores que são fundamentais como a democracia e a liberdade, e neste aspeto vivemos um tempo muito conturbado, temos de nos preparar para um futuro duro e muito complicado", disse.

Este tipo de atuações infelizmente não será a última, vivemos momentos muito conturbados, com ataques diretos aos valores da Europa, e vamos ter de trabalhar cada vez mais na partilha de informações com os Estados, reforçar a agenda estratégica para a segurança na Europa e só assim conseguiremos combater este bando de criminosos, estes grupos que nos querem atacar no centro nevrálgico da Europa", afirmou o antigo secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro Pedro Passos Coelho.

 

"Um dia terrível para a Europa"

Para Carlos Moedas, mais um dos portugueses a trabalhar e viver na capital belga, hoje foi "um dia terrível para a Europa e para Bruxelas".

O comissário europeu português apercebeu-se dos atentados iniciais no aeroporto, mas só depois de chegar à Comissão, disse, "é que houve esta grande explosão no metro a uns 200 metros da sede da Comissão Europeia".

A partir daí, disse, "as pessoas começaram a ficar mais preocupadas porque de repente tudo parecia continuar e não se sabiam onde seriam os próximos ataques".

"Na cabeça das pessoas houve uma preocupação crescente", concluiu.

Bruxelas foi hoje de manhã abalada por dois atentados, com duas explosões no aeroporto e uma no metro da capital da Bélgica, que fizeram pelo menos 34 mortos e cerca de 180 feridos.

A procuradoria belga já confirmou que, no caso do aeroporto, tratou-se de um atentado terrorista suicida.

O nível de alerta terrorista na Bélgica foi elevado para quatro, o máximo da escala.