A ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, disse esta sexta-feira que o nível de ameaça terrorista se mantém moderado em Portugal porque não há indícios concretos para o aumentar, mantendo-se as autoridades vigilantes e com medidas de prevenção.

No final de uma visita à Direção Nacional da PSP, em Lisboa, na qual acompanhou o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, os jornalistas questionaram a ministra sobre o grau de ameaça terrorista em Portugal se manter moderado, não sofrendo alterações, apesar do ataque de quinta-feira em Nice, de acordo com o anúncio da Secretária Geral do Sistema de Segurança Interna, Helena Fazenda.

"O nível de ameaça terrorista, que mede no fundo a probabilidade de um ataque terrorista num determinado país, mantém-se moderado. Não temos ainda indícios concretos que nos permitissem aumentar esse nível", explicou Constança Urbano de Sousa.

No entanto, a governante assegurou que as autoridades se mantêm "vigilantes, com medidas de prevenção, que se impõem já desde há muito para, precisamente, prevenir".

"Os ataques terroristas vivem de dois fatores fundamentais: oportunidade e a imprevisibilidade. É isso que nós temos, que através de medidas preventivas, reduzir", sublinhou.

A ministra acompanhou esta sexta-feira à tarde o Presidente da República a uma visita à direção nacional da PSP, na qual Marcelo Rebelo de Sousa disse ter saído "triplamente feliz" pelo passado, pelo presente e pelo futuro da polícia.

"Portugal está grato à PSP", agradeceu, na cerimónia final.

O Chefe de Estado pôde participar numa reunião que a PSP realiza duas vezes por semana para fazer o ponto de situação de toda a operação a nível nacional e internacional, tendo tido a oportunidade de falar, por Skype, com um elemento que estava na Bulgária no controlo de fronteiras.

Marcelo Rebelo de Sousa teve ainda a oportunidade de ver uma exposição com todas as forças da PSP, para acompanhar mais de perto as várias valências da polícia, e nos claustros do edifício foi recebido por um grupo de pequenos agentes fardados, das escolas da freguesia da Penha da França, que gritaram, em uníssono: "Boa tarde, senhor Presidente".

O Presidente da República falou com os alunos para perceber se eles estavam sensibilizados para o trabalho da PSP, tendo ainda conhecido a ação das equipas de inativação de explosivos ou do grupo operacional cinotécnico e até permitido que lhe detetassem as suas impressões digitais numa folha.

Um camião atingiu na quinta-feira à noite uma multidão em Nice, França, na Promenade des Anglais, quando decorria um fogo-de-artifício para celebrar o dia de França. O último balanço das autoridades francesas aponta para 84 mortos e 202 feridos.

Das 202 pessoas que ficaram feridas, 52 estão entre a vida e a morte.

Pelo menos um cidadão português ficou ferido no ataque, confirmou esta sexta-feira o Governo português.

As autoridades francesas já consideraram estar perante um atentado e o Presidente da França, François Hollande, anunciou o prolongamento por mais três meses do estado de emergência que vigora no país desde o ano passado. França decretou luto nacional de três dias.

A autoria do ataque ainda não foi reivindicada. O condutor do camião foi abatido pela polícia.