A presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, despediu-se esta quarta-feira dos deputados, na última reunião plenária desta legislatura, afirmando que presidir ao Parlamento foi a maior honra da sua vida.


"Presidir ao Parlamento foi a maior honra da minha vida".


Afirmação de Assunção Esteves, no final de uma maratona de votações que durou mais de quatro horas, e que encerrou os trabalhos da atual legislatura.

A social-democrata, que foi a primeira mulher a exercer as funções de presidente da Assembleia da República, recebeu aplausos de pé dos deputados da maioria PSD/CDS-PP, de quase todos os deputados do PS e de alguns da restante oposição, relata a Lusa.

A antiga juíza do Tribunal Constitucional considerou que os últimos quatro anos foram um período "intenso" e agradeceu aos deputados e funcionários do parlamento "a colaboração, a confiança e o carinho" que lhe deram.


"Devemos estar orgulhosos do nosso protagonismo", concluiu.


Assunção Esteves foi eleita presidente da Assembleia da República a 21 de junho de 2011, com 196 votos favoráveis, 41 brancos e dois nulos, depois de o independente Fernando Nobre - primeira escolha do presidente do PSD e primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, para este cargo - ter falhado a eleição por duas vezes, desistindo da sua candidatura.

Assunção Esteves sucedeu ao socialista Jaime Gama na presidência da Assembleia da República.

Na altura, dedicou a sua eleição "a todas as mulheres, às mulheres políticas que trazem para o espaço público o valor da entrega e a matriz do amor, mas sobretudo às mulheres anónimas e oprimidas".

Transmontana nascida em Valpaços, Maria da Assunção Andrade Esteves, jurista, de 58 anos, foi eleita deputada pela primeira vez em 1987, pelo círculo de Vila Real, quando o PSD obteve a sua primeira maioria absoluta, durante a liderança de Cavaco Silva.

Em 2002, com Durão Barroso à frente do PSD, Assunção Esteves voltou a ser eleita deputada pelo círculo de Vila Real, e nessa legislatura foi presidente da Comissão Parlamentar de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias.

Em 2004, deixou a Assembleia da República para ir para o Parlamento Europeu, depois de ter sido eleita nas europeias desse ano pela lista da coligação PSD/CDS-PP.

Quando Pedro Passos Coelho se candidatou pela primeira vez à liderança do PSD, em 2008, contra Manuela Ferreira Leite e Pedro Santana Lopes, Assunção Esteves declarou-lhe apoio, considerando que este representava "o renascer de uma linha social liberal há muito esquecida" no partido.

Nas legislativas de 5 de junho, foi eleita pelo círculo de Lisboa, onde ocupou o sexto lugar da lista de candidatos do PSD.