A presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, defendeu esta quarta-feira, que as medidas decretadas pela União Europeia sobre as migrações são "claramente insuficientes", numa mensagem a propósito do naufrágio ocorrido hoje no Mediterrâneo.

“A tragédia do Mediterrâneo ao largo da Líbia, de migrantes e refugiados, soma-se a tantas outras na ignomínia de uma contabilidade insuportável. Eles fogem da má-sorte, da guerra e da pobreza, dos maus governos e, assim, não carregam apenas a própria desdita, eles carregam o grande infortúnio do mundo", refere Assunção Esteves, na mensagem enviada à comunicação social.


Para a presidente da Assembleia da República, "é preciso ir às causas, é preciso agir, no sentido de ação como algo verdadeiramente novo", considerando que a operação Triton (missão de controlo da migração no Mediterrãneo pela agência europeia de controlo de fronteiras - Frontex) "não é a chave das soluções".

"As migrações chamam por uma política externa europeia pró-ativa, dirigida aos países de origem e de trânsito, dirigida ao desenvolvimento e marcada pela unidade", apelou.


Vinte e cinco corpos foram recuperados no mar após uma embarcação com centenas de migrantes com destino a Itália ter naufragado hoje a poucas milhas da costa da Líbia, disseram à agência espanhola Efe fontes da guarda costeira italiana.

Segundo as mesmas fontes, ascende a 400 o número de pessoas resgatadas vivas, uma balanço provisório dado a operação de socorro continuar em curso.

A guarda costeira disse ainda que, de acordo com o testemunho de alguns sobreviventes, 600 pessoas viajavam na embarcação.

Mais de duas mil pessoas morreram este ano na travessia do Mediterrâneo com destino à Europa, de acordo com a Organização Internacional das Migrações.