A presidente do CDS-PP defendeu este domingo que "não vale a pena estar a criar nexos" que não existem entre o caso das ‘offshore' e a atividade profissional que Paulo Núncio tinha antes de integrar o anterior Governo.

Creio que também aí há ruído e uma coisa não tem nada a ver com a outra. E eu penso que isso fica bastante esclarecido e não vale a pena estar a tentar criar nexos que não existem", afirmou a líder do CDS-PP, Assunção Cristas.

A presidente do CDS-PP falava na Covilhã, distrito de Castelo Branco, onde participou na inauguração da sede de campanha do candidato centrista àquela autarquia, Adolfo Mesquita Nunes.

Questionada sobre as notícias que referem que o antigo secretário de Estado dos Assuntos Fiscais está ligado ao registo de cerca de 120 novas sociedades na Zona Franca da Madeira e que também foi advogado da empresa petrolífera venezuelana PDVSA, responsável pela saída da "maior fatia" da saída de dinheiro para ‘offshore’, Cristas salientou "que há vontade de confundir os temas" e que Portugal terá "um problema muito grande", caso se defenda que os detentores de cargos políticos não tenham tido atividade profissional previamente.

No limite se nós acharmos que ninguém pode ter uma vida profissional antes de cargos governativos, então vamos ter um problema muito grande porque só podem ser governantes professores, académicos, professores de liceu e gente que não tem uma vida privada. Vale a pena perguntar se é o sistema que nós queremos e se é essa democracia que queremos construir", frisou.

Para Assunção Cristas, durante as audições no parlamento ficou claro que "não há responsabilidades políticas" de Paulo Núncio e, além disso, “o facto de haver transferências que não foram reportadas no tempo do atual Governo" também demonstra que não houve "nenhum tipo de interferência política" nessa matéria.

Segundo a presidente do CDS-PP, o partido está tranquilo e continua "genuinamente empenhado" em clarificar totalmente esta matéria.

"Do lado do CDS há todo o empenho em que tudo seja esclarecido, doa a quem doer. E estamos muito tranquilos nesta matéria. O próprio doutor Paulo Núncio sempre se disponibilizou e não tem nenhum problema em prestar qualquer esclarecimento ao parlamento", acrescentou.

Cristas desafia Governo a marcar autárquicas

Assunção Cristas desafiou o Governo a marcar as eleições autárquicas deste ano, considerando que tal ajudará a "clarificar" as ações de índole governativa e as ações partidárias.

Devo dizer que estamos praticamente a seis meses das eleições e já era hora de o Governo, e eu desafio o Governo a marcar a data das eleições", afirmou.

Em declarações aos jornalistas, Assunção Cristas salientou que "seria positivo" conhecer a data em que as eleições terão lugar, até para "clarificar" quando é que o Governo atua como Governo e para "impedir que haja alguma simpatia excessiva do Governo com autarcas da sua cor política que estão em exercício".

Segundo acrescentou, há "muitos exemplos por esse país fora" da referida simpatia.

Assunção Cristas, que também é candidata à câmara de Lisboa, reiterou que "apesar de as autárquicas serem um terreno difícil para o CDS", o partido não considera que estas eleições sejam secundárias ou de menor importância estando empenhado em crescer e em obter bons resultados.

Apesar de ser um terreno difícil para o CDS, como referi no congresso há um ano, é um terreno que queremos disputar e ir conquistando gradualmente", apontou.

Por outro lado, e quando assinala um ano à frente do partido, Assunção Cristas também referiu que este foi um ano "extraordinariamente rico e intenso de atividade do CDS em todas as áreas".

Temos feito uma oposição muito forte e muito acutilante ao Governo das esquerdas unidas e, ao mesmo tempo, temo-nos empenhado sempre em trazer propostas construtivas nas mais diversas áreas, as últimas das quais por exemplo na área da supervisão bancária onde o Governo tardava em apresentar trabalho, apesar de o ter prometido desde a primeira hora", apontou.

Ao longo da intervenção que realizou na inauguração da sede de campanha de Adolfo Mesquita Nunes, Assunção Cristas também se mostrou confiante de que o ex-secretário de Estado do Turismo conquistará um bom resultado.

Estou aqui para te dar toda a força e para dizer que eu acho que tu vais ser presidente da Câmara da Covilhã [e que] acho que os covilhanenses têm imensa sorte em ter uma das pessoas mais talentosas da nossa política nacional", disse, dirigindo-se diretamente ao candidato.

Nesta cerimónia foi ainda anunciado que a médica e professora universitária Assunção Vaz Patto será a cabeça de lista do CDS à Assembleia Municipal.