A presidente do CDS-PP disse hoje que os portugueses "não podem viver num Estado 'Big Brother' fiscal" e adiantou que "valeu a lucidez" do Presidente da República por ter vetado o diploma sobre acesso à informação bancária.

"Nesta matéria valeu-nos o Presidente da República com grande lucidez que veio dizer aquilo que nós também dissemos desde a primeira hora. Não queremos viver num Estado 'Big Brother' fiscal", afirmou Assunção Cristas.

Assunção Cristas, que falava em Viana do Castelo na tomada de posse da nova comissão política local do partido, afirmou que os portugueses "não querem viver com uma Autoridade Tributária a achar que todas as pessoas que tem mais de 50 mil euros, às vezes muito poupadas ao longo da vida, são suspeitas".

"No CDS somos por um país de liberdade em que os cidadãos correspondem às suas obrigações, em que se combate a fraude e a evasão fiscal. Não aceitamos que todas as pessoas sejam tidas como suspeitas só porque conseguiram juntar mais de 50 mil euros", reforçou.

Assunção Cristas, que falava perante cerca de 150 militantes do CDS de Viana do Castelo, afirmou que, nesta matéria o partido "vai continuar a ser firme e intransigente".

"Quando fizemos a denúncia em agosto, estava toda a gente de férias, mas o CDS estava a falar dessa matéria e a chamar a atenção para esse aspeto", referiu.

Adiantou que o CDS "foi chamando sempre à atenção" deste tema no debate quinzenal, no parlamento, "porque (...) a par das dúvidas sobre o tal imposto sucessório também aqui se estava a preparar um imposto global sobre a riqueza que juntava todas as partes mobiliária e imobiliária para se poder tributar"

"Continuaremos sempre a denunciar estes aspetos, como denunciaremos a austeridade nas escolas, nos hospitais, nos centro de saúde, nas universidades onde não chega o dinheiro que foi inscrito no Orçamento do Estado e que hoje tem uma palavra para o justificar, cativações", sustentou.

A líder do CDS acusou ainda o primeiro-ministro de ter iniciado "um caminho novo" ao querer "construir e moldar a realidade ao que é seu desejo", e de ter "mentido várias vezes" no último debate quinzenal.

"Daqui por diante, vamos ter que ser um partido particularmente atentos à caça da mentira. E particularmente atentos a fazer a verificação, em cada momento, se aquilo que o primeiro-ministro diz é verdade ou se é mentira, procurando denunciar aquilo que está errado", reforçou.

Como exemplo apontou o caso do lançamento dos impostos sobre o gasóleo e da gasolina "que são cegos do ponto de vista dos rendimentos das pessoas, por não distinguirem quem tem mais e quem tem menos rendimentos, afetando todos os bolsos da mesma maneira".

"Só no primeiro semestre foram arrecadados mais 500 milhões de euros nesse imposto. É muito dinheiro. Isso significa que mais dinheiro foi tirado às famílias e às empresas e com muitos impactos", afirmou, referindo-se a esta forma de fazer política como "política à la esquerda".