A ministra da Agricultura e do Mar, Assunção Cristas, realçou a necessidade de reequipar os sapadores florestais, que receberam esta sexta-feira 21 novas viaturas no âmbito de um investimento superior a dois milhões de euros.

Ao intervir na cerimónia de entrega dos veículos, no Centro de Operações e Técnicas Florestais (COTF), na Lousã, Assunção Cristas recordou que os sapadores florestais foram criados em 1999 e que só agora, 15 anos depois, algumas das suas equipas beneficiam da «primeira ação de reequipamento».

Com verbas do Fundo Florestal Permanente, o Governo investiu agora 2.250.000 euros na aquisição de 21 viaturas todo-o-terreno para os sapadores florestais, além de equipamentos de proteção pessoal, motorroçadoiras e motosserras que serão distribuídos noutra ocasião.

A presidente da Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF), Paula Sarmento, revelou que existem cerca de 1.400 sapadores florestais em todo o país, organizados em 278 equipas.

A ministra da Agricultura salientou que estes profissionais, além da sua participação no combate aos fogos florestais, durante o verão, realizam no inverno «um trabalho discreto e extraordinariamente importante» para defender a valorizar a floresta portuguesa.

O novo Programa de Desenvolvimento Rural, para o período 2014-2020, viu reforçado em 113 milhões de euros, em relação à última programação financeira do setor, «os fundos comunitários alocados à floresta», que aumentaram para 555 milhões de euros, acrescentou.

«Nós temos um programa para reequipar os sapadores. Brevemente faremos a entrega dos equipamentos de proteção individual» e máquinas para cuidar da floresta, disse Assunção Cristas aos jornalistas, à saída do COTF.

Na sua opinião, «são uma peça essencial da nossa prevenção estrutural, quer de incêndios, quer de questões fitossanitárias» das áreas florestais.

«Espero, no próximo ano, dar continuidade de reposição gradual das viaturas, porque assim conseguiremos ter as equipas sempre bem apetrechadas», sublinhou Assunção Cristas, que visitou de seguida, na mesma zona, o Laboratório de Estudos sobre Incêndios Florestais, dirigido pelo professor Xavier Viegas, da Universidade de Coimbra (UC).

Ao apresentar o laboratório, integrado na Associação para o Desenvolvimento da Aerodinâmica Industrial, ligada à Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC, Xavier Viegas descreveu as conclusões da investigação pluridisciplinar dos fogos florestais realizada pela sua equipa.

«Infelizmente, muitas não são depois aproveitadas pelas entidades operacionais», lamentou, afirmando que gostaria de ver o ICNF «mais envolvido» nas atividades da equipa que dirige, fundada em 1985.

No final da visita, um agricultor do Baixo Mondego entregou à ministra da Agricultura uma carta relacionada com um alegado atraso no pagamento de apoios do Estado à produção.

António Melo Mendes, que cultiva milho e arroz na zona de Montemor-o-Velho, disse à agência Lusa que é credor «há muito tempo» de 30 mil euros de subsídios.