A vice-presidente do CDS Assunção Cristas defendeu esta sexta-feira que o programa eleitoral do partido de 2011 foi cumprido e, no capítulo de pagar e sanear as finanças, os centristas e o Governo tiveram "20 valores".

"Acho que podemos dizer com orgulho que, quanto ao primeiro capítulo de pagar o que se deve e sanear as finanças, temos 20 valores. Estamos completamente conversados e cumpridos, sabemos a explicação para na dívida termos subido um bocadinho mas já estarmos a descer e conseguimos explicar essa subida com rigor."

Num almoço-debate na Escola de Quadros do CDS, que decorre em Ofir até domingo, a dirigente centrista e ministra da Agricultura fez uma sessão de prestação de contas sobre o manifesto eleitoral e disse aos jovens do partido que se podem orgulhar do seu cumprimento, dando uma explicação mais detalhada sobre a dívida.

A vice do CDS explicou que, além da incorporação das dívidas das empresas públicas e das parcerias público-privado (PPP), a dívida cresceu para o ajustamento não ser tão violento.

"Pergunto a quem critica se preferiam que não tivéssemos nenhuma segurança em matéria de liquidez do Estado ou se preferiam que tivéssemos feito o ajustamento ainda mais violento do que aquele que nos foi exigido?", questionou.

Assunção Cristas disse que o executivo encontrou um comboio de alta velocidade de dívida e considerou que valia "a pena explicar muito bem a história da dívida", que era de 109% do PIB, em 2011, e chegou a atingir 132% em 2013 e é hoje de cerca de 129%.

"Cerca de metade deste aumento não é aumento nenhum. Vale a pena explicar que aos 109 pontos percentuais da divida socialista há que somar aquilo que são as empresas públicas e as PPP. As empresas públicas já tinham dívida, porém, onde é que ela estava? Debaixo do tapete, dívida escondida", disse.

E o resto? Segundo a ministra do CDS, "o resto é simples e vale a pena ser explicado": "O nosso ajustamento, a bem de todos, teve de ser o mais rápido possível, porém, não tão rápido que entrássemos na tal espiral recessiva que alguns diziam que ia acontecer e que não aconteceu. Temos em 2011 um défice de 7,4%, em 2012 de 5,6%, em 2013 de 4,8%, em 2014 de 4,5% e em 2015 vamos ter de 2,7%".

"Cada ano de défice é um ano de dívida. Se temos défice, temos dívida" e a alternativa passaria por "muito mais impostos, muito mais cortes em salários e pensões".

"Entendemos que esse não devia ser o caminho. Por isso, aceitamos que nos criticassem pelo aumento da dívida, para podermos fazer uma trajetória, apesar de tudo, um pouco menos agressiva. Há ainda uma fatia pequena que tem a ver com a necessidade de acautelar riscos. Uma parte desta dívida na verdade é dívida de cautela."


Para Assunção Cristas, o balanço é que o Governo e os centristas cumpriram e pediu aos estudantes da escola de quadros que interiorizassem a explicação dada sobre a dívida, mas também que o desemprego que ainda persiste é uma realidade que consome todos aqueles que afeta, aos quais "os grandes números" dizem pouco.

"Cumprimos a primeira parte de saneamento das contas públicas, cumprimos na segunda parte de pôr a economia a crescer, cumprimos com o plano de emergência social para acautelar as situações de maior fragilidade social, cumprimos na quarta parte com o elevador social a funcionar nomeadamente dando prioridade à questão da educação e da liberdade na educação, e na quinta parte também cumprimos nas questões de justiça e segurança", resumiu.

"Para mim, pessoalmente, o quociente familiar valeu uma estadia no Governo."