Assunção Cristas não compreende por que é que o ministro das Finanças, Mário Centeno, desvalorizou a ameaça do Eurogrupo, que, na terça-feira, admitiu "sérias razões" para sancionar Portugal e Espanha por incumprimento das metas do défice. 

"Faz-me lembrar aquelas paradas quando há um que está ao contrário, só a mãe desse um é que acha que ele está bem e todos os outros estão mal. O senhor ministro das Finanças diz que não está preocupado quando todas as entidades nacionais e internacionais independentes estão preocupadas", afirmou Assunção Cristas aos jornalistas após uma visita a um centro de dia de idosos em Alfragide, Amadora.

 

"(Preocupado?) Não, de todo, o que o presidente do Eurogrupo fez foi simplesmente referir que há um conjunto de procedimentos europeus que é necessário analisar, cumprir, e nós sabemos exatamente do que é que isso se trata (...) O Governo sabe exatamente o que fazer para manter o país numa trajetória de consolidação das suas contas públicas", declarou Mário Centeno. 

"Se é ele apenas o único que não está preocupado, de duas uma, ou não tem dito a verdade, ou os números estão todos enganados e estamos a viver uma ilusão, ou então é ele certamente que está a ser muito irresponsável", disse Assunção Cristas.

As declarações do ministro das Finanças, Mário Centeno, referiam-se às advertências do presidente do Eurogrupo quanto à possibilidade de aplicação de sanções a Portugal por défice excessivo. A líder centrista disse, contudo, não concordar com a aplicação de sanções a Portugal. 

"Não há razões para as sanções, achamos que foi de justiça, mas também lhe digo que é minha convicção que se o Governo anterior tivesse continuado nós teríamos ficado abaixo dos 3% e nem estaríamos a ter esta discussão agora", declarou.

Reunião do Eurogrupo durou até de madrugada

O ministro das Finanças assegurou que não ficou "de todo" preocupado com as declarações do presidente do Eurogrupo sobre a "possibilidade séria" de sanções a Portugal devido ao défice, apontando que o Governo "sabe exatamente o que fazer".

No final de uma reunião dos ministros das Finanças da zona euro, em Bruxelas, Mário Centeno, questionado sobre as declarações de Jeroen Dijsselbloem à entrada para o encontro - que teve início na terça-feira à tarde e se prolongou até à madrugada de sábado -, sublinhou que "o que neste momento é necessário é ter confiança na execução orçamental, na capacidade que o pais tem que ter de mostrar que consegue continuar nesse rumo e crescer".

À entrada para a reunião, Dijsselbloem afirmara que a aplicação de sanções a Portugal por défice excessivo é uma "possibilidade séria devido à situação atual do país".

"As sanções são absolutamente uma possibilidade, estão nas nossas regras e regulamentos, e quando olhamos para a situação atual em Portugal e Espanha há razões sérias para considerar a sua aplicação", declarou o presidente do Eurogrupo, lembrando que manter as contas públicas em ordem é uma "tarefa difícil".