A presidente do CDS-PP reagiu esta segunda-feira à acusações de António Costa ao CDS e PSD, de apenas se interessarem pelo debate sobre a floresta quando ocorreu a tragédia: Assunção Cristas afirmou que não se deixa condicionar "por tons de linguagem menos próprios” do primeiro-ministro.

O CDS não muda a sua atitude, nem se deixa condicionar por tons de linguagem menos próprios do senhor primeiro-ministro”, afirmou quando questionada pelos jornalistas, em Mação, um dos concelhos mais fustigados pelos incêndios, onde se reuniu com o autarca local.

Nós continuaremos e manteremos a nossa posição de querer esclarecer tudo e exigir responsabilidades, que é coisa que o senhor primeiro-ministro não gosta muitas vezes de assumir, mas ser primeiro-ministro é exatamente isso, é assumir aquilo que tem de assumir", considerou Cristas.

Governo cancelou 300 milhões para floresta

A líder do CDS voltou a apontar a questão da descoordenação, tendo afirmado que "este ano não teve piores condições de clima do que nos anos anteriores, não teve mais ignições do que nos anos anteriores e é um ano em que tudo infelizmente correu pior que nos anos anteriores do ponto de vista da área ardida de danos e de vidas afetadas e, portanto, tem de haver explicações por parte do governo".

Assunção Cristas disse que o Governo "tem sido muito rápido nas palavras, mas muito lento nas ações e aquilo que ouvi é a dúvida sobre a chegada dos apoios. Há uma preocupação mais do que justa e legitima em Mação tem a ver com a possibilidade de ter alguma exceção uma vez que aqui temos 75 por cento de área afetada.

Se queremos recuperar este território tem de haver um apoio significativo e foi este Governo que cancelou um concurso de 300 milhões de euros de apoio à defesa da floresta contra incêndios", acusou.

Em Mação, distrito de Santarém, onde esteve reunida durante cerca de uma hora com os autarcas locais Cristas considerou que é “um exemplo de boa prevenção estrutural em muitas zonas, mas quando não se alia um bom sistema de combate, uma boa coordenação no terreno àquilo que é o trabalho feito previamente ao nível da estruturação da floresta, também os resultados não são visíveis e isso deixa uma marca de grande frustração".

Estive em Abrantes e agora em Mação, que é o concelho que este ano teve a maior área ardida de todo o país, e de forma até muito frustrante, porque é um concelho exemplar na gestão da sua floresta pelo trabalho feito em conjunto com os proprietários durante muitos anos no terreno", frisou.