A presidente do CDS-PP disse esta sexta-feira que o Governo tem os “contadores a zero” e já não pode culpar o anterior executivo pela execução orçamental, depois de a Comissão Europeia ter cancelado as sanções a Portugal por défice excessivo.

Na verdade, os contadores estão a zero. Neste momento, já não é possível ao atual Governo deitar as culpas sobre o anterior Governo. Tentaram, tentaram, quando nem se esforçaram técnica e politicamente para defender um défice de 2015 abaixo de 2%”, criticou Assunção Cristas, em Almancil, no concelho algarvio de Loulé, no discurso que proferiu no jantar do 42.º aniversário do partido.

A líder “centrista” considerou que, “felizmente, houve quem na Comissão Europeia tivesse bom senso” e recordou a intervenção nesse sentido de alguns dos responsáveis da Comissão Europeia ligados ao Partido Popular Europeu, ao qual o CDS também pertence.

O presidente da Comissão é da nossa área politica e nós ajudámos a eleger e recordo que o comissário português, Carlos Moedas, também lutou e também é da nossa área política. Portanto, não venham os socialistas nem a esquerda radical a querer dar lições a esta área, porque se há um ganho de causa nesta matéria, esse ganho de causa é de todos os portugueses”, afirmou.

Assunção Cristas lembrou ainda que os portugueses “fizeram muitos esforços e muitos sacrifícios” e “o trabalho de muitos e também do CDS” permitiu dizer “que as sanções eram injustas, inapropriadas, desadequadas e que era preciso olhar para o esforço dos portugueses e ter bom senso”.

A dirigente do CDS frisou que o Governo e a maioria parlamentar que o sustenta “já não pode utilizar a vitimização europeia” e advertiu que “esse discurso acabou” e que “agora sim, os contadores vieram a zero”.

O Bloco de Esquerda deixou de ter brinquedo, agora vai ter que falar de outras coisas, já não pode culpar Bruxelas e a Europa e vai ter que assumir as suas responsabilidades, que são muitas nesta austeridade que já é deles e vai continuar a ser deles”, acrescentou.

Assunção Cristas criticou as opções que foram tomadas pelo Governo, como o aumento dos combustíveis, ou as que disse estarem em preparação, como alterações no imposto sucessório e a implementação de progressividade no Imposto sobre Imóveis (IMI).

A líder do CDS assegurou que o seu partido continuará a fazer “uma oposição calara a este Governo das esquerdas radicais”, que “falhou redondamente na criação de emprego” e está a “criar instabilidade” e “falta de confiança” no sistema financeiro.