A presidente do CDS-PP avisou hoje que é ao bolso da classe média que a "esquerda unida" vai buscar o dinheiro, acusando "os campeões dos pedidos de demissão" de estarem "agora caladinhos", para não "interromper a festança das esquerdas".

No encerramento da Escola de Quadros do CDS-PP, em Peniche, Leiria, Assunção Cristas fez um discurso muito duro contra os partidos que suportam o Governo socialista, BE e PCP, acusando-os de ser "farinha do mesmo saco", e assegurou que, em contraponto, "a mudança sensata é a marca de água" dos centristas.

"A classe média que não se iluda: quando a esquerda unida vier dizer que só quer tributar os ricos, é ao bolso da classe média que vai buscar o dinheiro", avisou, criticando o Governo por prejudicar o país, em particular a classe média, "para satisfazer as clientelas das esquerdas unidas".

Segundo a líder centrista, "quem votou nos partidos de esquerda a achar que eles iam fiscalizar o Governo, enganou-se".

"Os campeões dos pedidos de demissão estão agora caladinhos, não vá alguém interromper a festança da esquerda", criticou, referindo-se ao caso das viagens pagas pela Galp ao secretário de Estado dos Assuntos Fiscais ou à polémica que levou depois à demissão do antigo ministro da Cultura, João Soares.

Assunção Cristas lamentou por isso que "quem votou nos partidos da esquerda descobriu que eles se habituaram muito depressa ao poder" e puseram na gaveta "convicções, protestos, hinos e lemas", cita a Lusa.

"Tudo isto para arranjar dinheiro para as clientelas das esquerdas unidas: tudo serve para os sindicatos ficarem contentes. Mas afinal quem é que governa o país? O governo ou os sindicatos?", questionou.

A líder centrista alertou que "no que depender da esquerda radical, a classe média é vista como rica" e afirmou que o "silêncio das esquerdas perante a execução orçamental é ensurdecedor".

Usando o argumento da reposição de rendimentos utilizada pela esquerda, Assunção Cristas dirigiu-se diretamente e "olhos nos olhos" aos funcionários públicos ao afirmar que "uma reposição imediata e total de salários só seria possível com a economia a crescer de forma sustentável".

"A conversa do Partido socialista ficava tão bem no papel, bastava virar a página, era só devolver rendimento e com isso melhorar o consumo", recordou.

Segundo Cristas, o resultado destas políticas erradas do governo liderado por António Costa é "um crescimento muito abaixo do esperado, do prometido" e daquele que o Governo que o CDS integrou tinha conseguido.

"E o que se ouve ao PS, ao BE e PCP? Nem um ui", vincou, voltando a dirigir-se "a quem votou nos partidos da esquerda radical a achar que eles iam protestar contra este crescimento anémico" e que, portanto, "se enganou redondamente" porque estão agora "calados, caladinhos".

A fechar o discurso, a centrista deixou uma mensagem clara: "Não esperem de nós radicalismos, não esperem que ponhamos tudo em causa, não esperem que não evoluamos, não esperem que não aceitemos a mudança".