A presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, disse no sábado na Batalha, no distrito de Leiria, que ver o Governo não dar atenção à área da Defesa é um sinal de "muito pouca inteligência".

Depois de Pedrógão e depois de Tancos, ver um Governo mais uma vez não dar atenção a estas áreas já nem é um sinal de desleixo, é um sinal de muito pouca inteligência", afirmou Assunção Cristas, num jantar da tomada de posse dos órgãos distritais do CDS-PP Leiria, no dia em que foi divulgado o teor de um memorando enviado pelas chefias militares ao Governo sobre o défice de efetivos nas Forças Armadas.

Assunção Cristas adiantou que o CDS-PP é uma alternativa a um Governo que "não está preocupado" nem "aprendeu nada" com a "segurança de pessoas e bens".

Hoje ficámos espantados quando vimos de repente que afinal aquilo que são as promessas, no que diz respeito às nossas Forças Armadas, aparentemente não serão cumpridas. Vemos os três chefes dos ramos mais o chefe de Estado-Maior a dizer que não chega e que o Governo não está a cumprir com o prometido", salientou.

Considerando que "isto é grave", a líder do CDS-PP lembrou que estas são funções "básicas do Estado, que estão antes de todas as outras e que se falham, como infelizmente falharam no verão passado, põem a nu o que é a fragilidade de um Estado", que fica "de repente despido das suas condições de existência, que é proteger o seu território e a sua população".

Para Assunção Cristas esta situação "não é admissível", pelo que, recordou, o CDS-PP "já fez saber que chamará ao parlamento quer o senhor ministro quer o general CEMGFA [Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas] para perceber o que falta, onde falta, como falta e como é que isto deve ser colmatado".

A presidente do CDS-PP acusou ainda o Governo de "não dizer toda a verdade" aos portugueses e de "fingir que está tudo bem, sendo absolutamente incapaz de sinalizar as suas prioridades".

Prioridades têm de haver em todos os governos. O que não se pode dizer aos portugueses é que está tudo bem, é que não há austeridade, o país cresce, o desemprego baixa, está tudo cor-de-rosa, porém o que vemos são escolas com problemas, hospitais que cada vez têm menos, centros saúde que não têm dinheiro para o básico para assistir os seus utentes e profissionais desmotivados", salientou.

Segundo Assunção Cristas, o Governo "não diz que para atingir as tais metas do défice é preciso sacrificar alguma coisa" e "é preciso sacrificar muitas vezes o que tem a ver com o bem-estar diário dos portugueses".

"Como alguém dizia no outro dia em Montalegre, nos tempos anteriores podia não haver dinheiro para o investimento, mas não faltava dinheiro para as compressas e para as seringas no hospital, e hoje em dia falta", precisou.

Assunção Cristas revelou ainda que tem um "compromisso pessoal" que tem cumprido "religiosamente" de ir a cada dois meses à região mais afetada pelos fogos e pela tragédia de junho passado, Pedrógão Grande. "Essas visitas não são apenas para cumprir calendário. São para ouvir as pessoas, aquilo que dizem e sentem que chegam muito tarde ou nem sequer chegam a Lisboa", referiu.

A presidente do CDS-PP abordou ainda as eleições legislativas de 2019, dizendo que "o que vamos saber é quem é que consegue somar um apoio no parlamento de 116 deputados".

Para Assunção Cristas, a grande questão já "não é quem ganha". "Interessa saber quem é que no conjunto dos deputados, das forças políticas, soma 116 deputados. Não vejo por que não possamos criar um bloco de centro direita e constituir esses 116 deputados."