A presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, manifestou-se esta quinta-feira preocupada com as previsões do FMI e defendeu que atitude do Governo põe Portugal "nos radares" para ser objeto de comentários "menos felizes", como o do ministro alemão das Finanças.

"O que eu gostaria é que Portugal de facto não se pusesse nos radares e não se pusesse na situação de ser objeto de comentários porventura menos felizes", afirmou à Lusa Assunção Cristas, após um almoço-conferência sobre o Brexit, na sede do CDS em Lisboa.

A líder centrista criticou que haja uma "conversa pública tida com muita ligeireza", com declarações contraditórias por parte do primeiro-ministro e do ministro das Finanças, ao mesmo tempo que existem número que "são objetivos, são reais e muito preocupantes sobre o desempenho da nossa economia".

"Obviamente que isto se presta a comentários mais ou menos infelizes", declarou.

Cristas disse também ter lido com preocupação a avaliação do Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgada esta quinta-feira.

"Eu não sei se o FMI está correto, nós vimos o FMI noutros momentos também fazer projeções que não se verificaram. Eu olho sempre com muita cautela, mas também com muita preocupação. O FMI o que nos diz hoje é que não vamos crescer 1,4% - recordo que o Governo prevê 1,8% -, que eram o que previam, mas crescer 1% e que o défice vai ficar em 3%.", sustentou.

Apesar de considerar que o ministro das Finanças, Mário Centeno, não conseguiu "esclarecer como vai fazer as suas revisões", à líder do CDS parece que "inexoravelmente alguma coisa terá de ser ajustada".

"Recordo que Portugal e Espanha receberam carta da Comissão Europeia para dizerem o que vão fazer se for necessário ajustar alguma coisa do ponto de vista orçamental. Espanha terá respondido, o Governo não terá respondido, ou pelo menos não de forma substancial, apenas foi dizendo que está tudo bem e não será necessário mais nada e ainda esta semana o senhor primeiro-ministro disse que não será preciso mais nada", declarou.

"Mais uma vez sinto que o senhor primeiro-ministro fala com muita ligeireza dos temas, toca nos temas como se não tivessem relevância, tanto é em relação ao crescimento económico, como em relação ao sistema financeiro, quando lançou a ideia de que precisamos de um veículo de 20 mil milhões de euros e depois não voltou a explicar nada nem a tocar no assunto", reforçou.

De acordo com a agência Bloomberg, Wolfgang Schauble afirmou na quarta-feira, numa conferência, em Berlim, que Portugal está a pedir "um novo programa" e que "vai consegui-lo". Depois, o governante alemão corrigiu aos jornalistas as suas declarações: "Os portugueses não o querem e não vão precisar [de um segundo resgate] se cumprirem as regras europeias", precisou.

"Eles têm de cumprir as regras europeias ou então vão ter dificuldades", disse o ministro das Finanças alemão.

O FMI reviu esta quinta-feira em alta a previsão para o défice de Portugal este ano, passando de 2,9% para 3,0%, acima dos 2,2% projetados pelo Governo, alertando ainda para "riscos negativos".

"Tendo em conta estes riscos, provavelmente serão precisas mais medidas para apoiar a restrição da despesa para garantir que o objetivo orçamental deste ano, de 2,2% do PIB [Produto Interno Bruto], é alcançado. Na ausência de passos adicionais, o FMI projeta num défice próximo dos 3% do PIB", lê-se no comunicado de conclusão da quarta missão pós-programa e dos trabalhos ao abrigo do Artigo IV, hoje publicado.

O FMI saúda o compromisso orçamental do Governo para este ano, que continua a ser uma redução do défice para os 2,2%, mas alerta para riscos à angariação de receitas "num contexto de fraco crescimento", considerando que "podem surgir pressões na despesa na segunda metade do ano".