A presidente do CDS-PP desafiou este sábado o secretário-geral do PS a adiar e discutir a eutanásia depois das eleições legislativas, para o parlamento “não estar a discutir nas costas dos portugueses” o assunto.

O nosso desafio é que [António Costa] faça votar no seu partido a decisão de, porventura, apoiar a eutanásia, mas fazê-lo depois do próximo ato eleitoral, na próxima legislatura. Aí sim, estarão a dar um sinal de coragem, de transparência e maturidade política”, afirmou Assunção Cristas, na abertura do Congresso da Juventude Popular, numa unidade hoteleira de Peniche, no distrito de Leiria.

Enquanto o debate não for mais alargado à sociedade, o CDS-PP “tem de estar contra, porque politicamente estamos a legislar nas costas dos portuguesas”, sublinhou, sugerindo a Costa que aproveite o congresso para discutir o tema para depois levarem a discussão à Assembleia da República.

Os 230 deputados eleitos não disseram nunca aos seus eleitores ao que vinham nesta matéria”, justificou.

A líder do CDS-PP criticou Costa por, “a quatro dias da votação” da eutanásia na Assembleia da República, revelar a sua opinião, questionando se “com isso não entende que há falta de transparência, de honestidade política, de coragem para dizer com tempo ao que vem e o que quer fazer numa área tão profunda”.

Cristas quer interrogar o também primeiro-ministro se “acha que é uma prioridade para o SNS [Serviço Nacional de Saúde] criar as condições para haver a execução da morte quando no SNS nós temos apenas uma cobertura de 20% de cuidados paliativos”.

A presidente dos centristas disse não perceber a pressa de discutir o tema no parlamento, quando “há mais de dois anos há projetos à espera que a maioria permita que sejam discutidos e votados”.

Cristas deu o exemplo de um apresentado pelo CDS-PP que, já tivesse sido aprovado permitia “saber, em relação a todos os membros do Governo, que reuniões tinham tido, quando, com quem, com que entidades nacionais e estrangeiras, sobre que matérias”.

Não estávamos agora a interrogar-nos sobre incompatibilidades e impedimentos dos membros do Governo, que são casos e casos que todos os dias, todas as semanas se sucedem”, rematou, referindo-se ao do ministro Adjunto, Pedro Siza Vieira.

O Ministério Público anunciou na quarta-feira que requereu ao Tribunal Constitucional uma análise às declarações de incompatibilidades e de rendimentos do ministro Adjunto, após ter sido noticiado que o governante acumulou funções governamentais com a gerência de uma empresa imobiliária.

PS e as Finanças

A presidente do CDS-PP aproveitou ainda para afirmar que o PS “levou três vezes o país à bancarrota”, reagindo a declarações de António Costa, e defendeu que o Governo esconde a austeridade para levar “números bonitos” à Comissão Europeia.

É bom que António Costa tenha memória e que não se esqueça de nenhum episódio da história, nem de nenhum dos seus antecessores. É bom relembrar que este PS e, em boa parte, este governo do PS, coincidente com outros governos do PS, foi responsável por levar por três vezes Portugal à bancarrota”, afirmou Assunção Cristas na abertura do Congresso da Juventude Popular, numa unidade hoteleira de Peniche, no distrito de Leiria.

Para a líder do CDS-PP, “não é verdade que o PS seja o partido que melhor governa as finanças”. Cristas acrescentou que a divida, que “continua em níveis muitíssimo elevados, está muito longe das promessas deste governo”.

Assunção Cristas recordou que, em 2011, com a crise no país e na Europa, o PS “foi corrido pelos portugueses” e hoje “é fácil falar quando este Governo vai a reboque do crescimento económico” da Europa.

A presidente dos centristas considerou também que a “dupla imbatível” do primeiro-ministro, António Costa, e ministro das Finanças, Mário Centeno, “consegue números bonitos para mostrar a Bruxelas” à conta de “austeridade posta debaixo da mesa e dissimulada”, “enorme carga fiscal”, “impostos diretos que vão ao bolso das pessoas”, “extraordinária degradação dos serviços públicos”, “cativações bem para lá dos mil milhões de euros”.

Cristas concluiu que os socialistas “o que fazem é esconder os cortes de forma ardilosa na educação, nos transportes públicos, na segurança e na saúde”.

O Serviço Nacional de Saúde, que é a grande paixão do PS, está em estado de emergência a precisar de ligar para o 112. O problema é que o próprio 112, através o INEM [Instituto Nacional de Emergência Médica], é o primeiro a estar numa profunda degradação”, apontou Cristas.

Na sua edição de hoje, o semanário Expresso noticia que o INEM está em estado crítico, com bases operacionais degradadas, viaturas sem manutenção, fármacos em falta e escassez de profissionais que levaram a que 17% das emergências pré-hospitalares não tiveram apoio médico.