A líder do CDS-PP criticou a atuação do Governo em relação à Caixa Geral de Depósitos (CGD), considerando prioritário que o primeiro-ministro esclareça como vai ser capitalizada, qual o montante e o que está em causa.

Em entrevista publicada esta terça-feira no jornal de Negócios, Assunção Cristas disse que o CDS-PP estará disponível para pedir uma comissão parlamentar de inquérito à gestão da CGD, “se se considerar necessário em dado momento”.

Neste momento, o que é prioritário é que o primeiro-ministro diga alguma coisa sobre a Caixa. Queremos perceber o que se está a passar: se vai à dívida, se vai ao défice, como é que vai ser capitalizado, qual vai ser o montante, porque é que é necessário este montante, o que está em causa, são as imparidades de que momento?”, salientou a presidente do CDS-PP.

No entender de Assunção Cristas, o “primeiro-ministro é muito ligeiro” na forma como trata este assunto”, considerando ser importante que o Governo esclareça “de uma vez por todas” a questão da CGD.

A líder do CDS-PP garantiu também na entrevista ao jornal de Negócios, que durante o Governo de coligação PSD/CDS que integrou, que o “tema Banif nunca foi discutido em Conselho de Ministros”, tendo sido tratado ao nível das Finanças.

Em matéria de Banif, o que posso dizer é que nunca a questão foi discutida em Conselho de Ministros. Na verdade, a informação que tive sobre o Banif foi aquela que depois veio a público. Não queria estar a assacar culpas quando há uma comissão de inquérito a funcionar, e não é nada claro que se possa dizer que o anterior Governo é responsável ou que há um responsável único”, disse.

Sobre “os ataques” ao governador do Banco de Portugal, Assunção Cristas disse que “o que lá vai, lá vai (…)”.

Não ganhamos nada em denegrir o Banco de Portugal. Essa via, que foi ensaiada pelo primeiro-ministro [António Costa], é uma via muitíssimo infeliz”, frisou.

Na entrevista, Assunção Cristas considerou que António Costa deve “fazer voz grossa em Bruxelas para evitar sanções relativamente a 2015” e em 2016 deve “cumprir aquilo que se comprometeu”.

“O Governo diz que não quer sanções, mas na prática não se bateu por um melhor resultado em 2015. E sejamos francos, não se bateu porque não quis, porque lhe interessa mais atirar as culpas para o anterior Governo”, disse.

Na opinião da líder do CDS-PP, o Governo deveria lutar para que o défice de 2015 ficasse abaixo dos 3%.

No que diz respeito à possibilidade de vir a existir mais austeridade, Assunção Cristas afirmou que as escolhas “são deste Governo”.

As nossas não seriam estas. Seriam por dar condições ao crescimento e por não ser tão rápido na devolução dos rendimentos que todos nós gostaríamos de fazer. E lembro que quem devolveu as pensões fomos nós”, disse.

Sobre a sustentabilidade da Segurança Social, Assunção Cristas disse que, para já, o CDS-PP propôs que “comece a ser feito um trabalho que visa dar transparência ao sistema”, para que as pessoas saibam do que se está a falar”.

Quanto às eleições autárquicas, a presidente do CDS-PP disse “não se sentir incomodada pelo apoio do PS a Rui Moreira na corrida à Câmara Municipal do Porto”.

No que diz respeito à Câmara de Lisboa, Assunção Cristas disse que o seu partido terá um nome próprio.