A líder do CDS-PP instou o Governo a executar os fundos comunitários, reiterando que os centristas se empenharão junto do Parlamento Europeu e da sua família política para que não haja suspensão de fundos.

"Nós precisamos muito que os fundos existam e que sejam bem executados. Instamos o Governo que os ponha a funcionar, que os execute, que os faça chegar à economia e da nossa parte continuaremos a batalhar para que não haja qualquer sanção e qualquer suspensão de fundos para Portugal", afirmou Assunção Cristas.

"O CDS mantém a sua posição de sempre, absolutamente contrária a qualquer sanção para Portugal, por ser injusta, por ser injustificada e incompreensível por parte dos portugueses que fizeram tantos sacrifícios nos últimos anos. Vamos empenhar-nos, já nos estamos a empenhar junto do Parlamento Europeu e da nossa família política para que não haja qualquer suspensão de fundos a Portugal", defendeu.

A presidente centrista falava aos jornalistas após a audição com o primeiro-ministro, António Costa, na residência oficial de São Bento, de preparação da Cimeira europeia informal de Bratislava, que decorre na sexta-feira.

Assunção Cristas disse aos jornalistas que expressou ao primeiro-ministro "preocupação em relação à execução dos fundos comunitários", aliada a uma "trajetória do crescimento muito preocupante".

"O crescimento é anémico, o investimento está a diminuir, as exportações estão a diminuir, o consumo não tem o fulgor necessário para compensar estes dois outros pilares. O que nós precisamos é que o Governo trate de tudo aquilo que é necessário e que está ao seu alcance, nomeadamente da boa execução dos fundos comunitários, para que possa haver recuperação de investimento e criação de condições de confiança", sustentou.

A líder do CDS-PP reiterou ainda ao primeiro-ministro a posição dos centristas relativamente ao combate ao terrorismo, no sentido de uma melhor coordenação de forças policiais e judiciais, sublinhando que esse combate "deve ser assumido em todas as vertentes".

"Não podemos adotar uma postura passiva", frisou, ao mesmo tempo que manifestou concordância com a posição de "solidariedade e acolhimento" que Portugal tem assumido no na questão das migrações.

A reunião informal de Bratislava, que se realiza numa altura em que a Eslováquia tem a presidência rotativa da União Europeia, juntará chefes de Estado e de Governo de 27 Estados-membros, sem a presença do Reino Unido.

A questão do "Brexit", na sequência do referendo britânico e a estratégia de médio prazo da União Europeia, serão os dois principais temas em discussão.

No processo de preparação desta reunião informal, António Costa reuniu-se em Atenas, na sexta-feira passada, com os chefes de Estado e de Governo dos Estados-membros da Europa do sul, e no domingo participou num jantar informal em Berlim a convite da chanceler alemã, Angela Merkel.

Antes, a convite do presidente francês François Hollande, o primeiro-ministro já tinha estado em Paris numa reunião que juntou líderes socialistas e progressistas de governos da União Europeia, tendo tido também uma conversa telefónica com o presidente do Conselho Europeu, o polaco Donald Tusk.

 

CDS desconfia de sustentabilidade de aumento do IAS

Assunção Cristas aproveitou para defender que o país não vive o contexto ideal para "políticas mais generosas", como o descongelamento do indexante de apoios sociais, questionando a sustentabilidade da medida.

"Não nos parece que seja o contexto ideal para defendermos que podemos ter políticas mais generosas, como todos gostamos de ter, mas gostamos de ter com os pés assentes na terra e sabendo para onde estamos a caminhar", defendeu Assunção Cristas, apontando um "crescimento débil" e "dívida pública a aumentar".

A líder centrista reagia à atualização do Indexante dos Apoios Sociais (IAS), atualmente fixado nos 419,22.

"Quando ao mesmo tempo que vemos estas medidas - que são medidas que naturalmente todos gostaríamos de tomar - conjugadas com aumento crescente e consistente da dívida pública, há alguma coisa na despesa que não está a bater certo", sustentou.

"Ao mesmo tempo, quando vemos um crescimento económico anémico percebemos que é preciso atuar com muita cautela porque não temos garantias que aquilo que hoje se anuncia como estando a dar, amanhã não venha a ter problemas de sustentabilidade", acrescentou.